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Quantos anos meu filho pode ter um celular? Estudo revela riscos antes dos 12 

Pesquisa com mais de 10 mil adolescentes dos EUA indica que a simples posse do smartphone pode afetar saúde mental e física; especialistas defendem atraso no primeiro aparelho

Danieli Aguiar
Por Danieli Aguiar 5 Min Leitura
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Estudo com mais de 10 mil adolescentes mostra que dar celular cedo pode afetar saúde física e mentalImagem; Freepik
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Uma nova pesquisa divulgada nesta semana acende um alerta importante para famílias: dar o primeiro celular antes dos 12 anos pode aumentar significativamente os riscos de depressão, obesidade e sono insuficiente em crianças e adolescentes. O estudo acompanhou mais de 10 mil jovens por dois anos e concluiu que, mesmo sem uso excessivo, apenas ter o aparelho já muda comportamentos e rotinas essenciais para o desenvolvimento saudável.

O levantamento faz parte do Adolescent Brain Cognitive Development Study (ABCD), uma das maiores pesquisas sobre desenvolvimento cerebral e comportamento na adolescência nos Estados Unidos. O objetivo foi entender o impacto da chegada precoce do smartphone na vida dos jovens e os resultados mostram que a idade importa mais do que se imaginava.

O que o estudo revelou

Ao comparar adolescentes de 12 anos que já tinham celular com aqueles que ainda não tinham acesso ao aparelho, os pesquisadores observaram que quem já usava smartphone apresentava:

● 62% mais chance de dormir menos de 9 horas por noite;

● 40% mais risco de obesidade;

● 31% mais risco de depressão.

Esses dados não consideram o chamado “uso problemático” — adolescentes que passam longas horas na tela foram excluídos da pesquisa. Ou seja: o risco aumenta apenas pelo fato de ter o celular e acessar o ambiente digital sem restrições.

Além disso, quanto mais cedo o aparelho chega, maior o impacto. A idade média do primeiro celular era 11 anos. Para cada ano que o jovem recebia o smartphone antes, o risco de obesidade aumentava 9%, e o de sono insuficiente, 8%.

E depois dos 12 anos? Impacto aparece rápido

O estudo também mostrou que receber o celular aos 13 anos não elimina os riscos. Em apenas um ano com o aparelho, adolescentes que antes não tinham acesso passaram a apresentar:

● 57% mais risco de níveis clínicos de psicopatologia;

● 50% mais risco de sono insuficiente.

Mesmo jovens que estavam bem no ano anterior tiveram impacto rápido após o início do uso.

Por que isso acontece?

Os pesquisadores ainda não identificaram exatamente quais comportamentos explicam o aumento dos riscos, mas apontam possíveis caminhos:

● Atenção fragmentada e verificação constante do aparelho;

● Menor interesse por atividades ao ar livre;

● Aumento do sedentarismo;

● Interferência no sono.

Especialistas reforçam que telas modificam sistemas cerebrais em formação. O neurologista pediátrico Marcelo Masruha explica que o uso frequente reduz a capacidade de atenção e de memória de trabalho funções essenciais para o desenvolvimento cognitivo.

Quando dar o primeiro celular?

A orientação geral no Brasil e nos EUA é que o aparelho não seja entregue antes dos 12 anos. Mas o autor principal do estudo, o psiquiatra infantil Ran Barzilay, alerta que os riscos mostram que essa idade pode não ser a ideal.

Masruha recomenda que o smartphone seja próprio do adolescente apenas a partir dos 14 anos  e ainda assim com regras claras.

O que fazer quando o acesso chega

Especialistas orientam que a decisão não seja apenas “sim” ou “não”, mas um diálogo contínuo entre pais e filhos. Algumas recomendações:

● Ser exemplo e observar o próprio tempo de uso;

● Restringir telas de lazer a no máximo três horas por dia (menos nos dias de semana);

● Usar aplicativos de monitoramento;

● Proibir o uso em atividades sociais e durante refeições;

● Garantir que o celular não substitua atividades físicas;

● Conversar sobre riscos e criar acordos claros.

Sobre redes sociais, os dois especialistas são firmes: não antes dos 18 anos. Eles afirmam que adolescentes não têm maturidade emocional e cognitiva para lidar com conteúdos potencialmente nocivos, o que aumenta riscos de transtornos alimentares, ideação suicida e automutilação.

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