A incidência de câncer de tireoide aumentou rapidamente nas últimas décadas e, embora os números tenham se estabilizado nos últimos anos nos Estados Unidos, pesquisadores afirmam que o fenômeno não pode ser explicado apenas pelo avanço dos diagnósticos. Dados apontam que tumores mais agressivos também cresceram, levantando suspeitas sobre o papel da obesidade, da radiação em exames médicos e de substâncias químicas presentes no dia a dia.
A tireoide, localizada na base do pescoço, regula funções essenciais do organismo, como batimentos cardíacos, pressão arterial e temperatura. Quando suas células passam a se multiplicar de forma descontrolada, formam tumores que podem se espalhar para outros órgãos. Apesar das altas taxas de cura, o aumento de casos preocupa.
Diagnósticos mais precisos explicam parte do aumento
A partir dos anos 1980, a ultrassonografia passou a identificar nódulos pequenos e antes imperceptíveis. Na década seguinte, a biópsia por punção aspirativa por agulha fina ampliou ainda mais a detecção de tumores papilares iniciais.
Segundo pesquisadores, esse avanço contribuiu para a explosão de diagnósticos enquanto isso, a mortalidade permanecia estável. Coreia do Sul e Estados Unidos registraram picos de incidência justamente após programas e tecnologias de rastreio.
A mudança nas condutas médicas também reduziu procedimentos desnecessários. Hoje, cirurgias totais dão lugar à remoção parcial ou ao acompanhamento, e o iodo radioativo só é indicado em casos mais agressivos.
Avanços não explicam crescimento de tumores maiores
Estudos recentes mostram um cenário mais complexo. Mesmo com diagnósticos mais precoce, casos de tumores maiores e metastáticos passaram a ser registrados com mais frequência em diferentes países, incluindo nações de média renda.
Pesquisas também revelam que a mortalidade, embora baixa, cresce cerca de 1,1% ao ano.
Obesidade vira um dos principais suspeitos
O aumento da obesidade desde os anos 1980 coincide com o crescimento dos tumores mais agressivos. Pessoas com IMC elevado têm mais de 50% de risco adicional de desenvolver câncer de tireoide ao longo da vida, segundo estudos de longo prazo.
Pesquisadores apontam que inflamações, resistência à insulina e alterações hormonais podem influenciar a evolução do tumor. Níveis altos de TSH hormônio que regula a tireoide também são mais comuns em pessoas com IMC elevado.
Radiação médica e substâncias químicas também entram na lista
A expansão do uso de tomografias e raio X principalmente em crianças, mais sensíveis à radiação pode explicar parte dos novos casos. Estimativas indicam que milhares de diagnósticos anuais nos EUA podem estar relacionados a exames de imagem.
Outra linha de investigação envolve substâncias desreguladoras endócrinas, como PFOA e PFOS, presentes em utensílios domésticos, embalagens e até extintores. Elementos-traço provenientes de erupções vulcânicas também podem ter influência em regiões específicas.
Um fenômeno multifatorial
A combinação de fatores ambientais, metabólicos, hormonais e genéticos é hoje a hipótese mais aceita entre especialistas. Ao mesmo tempo em que a detecção melhorou, mudanças de estilo de vida, exposição a compostos químicos e aumento de radiação diagnóstica podem estar contribuindo para tumores mais agressivos.
Para os pesquisadores, entender essa interação é fundamental para aprimorar estratégias de prevenção e diagnóstico precoce.




