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Presidente do BRB é afastado após operação que prendeu dono do Banco Master

Ação da Polícia Federal leva Daniel Vorcaro à prisão e pressiona negociações envolvendo o Master; Banco Central decreta liquidação extrajudicial da instituição

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 4 Min Leitura
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Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, foi afastado por decisão judicial após operação que prendeu o dono do Banco Master, Daniel VorcaroImagem: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília
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O presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo por decisão judicial nesta terça-feira (18), por um período de 60 dias. A medida ocorre no mesmo dia em que a Polícia Federal (PF) prendeu o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, durante uma operação que investiga possíveis irregularidades envolvendo a instituição e sua tentativa de venda. Segundo o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), Costa estava nos Estados Unidos no momento em que foi afastado.

Além de Vorcaro, o diretor-executivo de finanças e controladoria do BRB, Dario Oswaldo Garcia Junior, também foi afastado temporariamente.

Banco Master é liquidado pelo Banco Central

Horas antes da operação da PF, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e determinou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores. A liquidação acontece quando uma instituição financeira não tem mais condições de funcionar. Com isso, um liquidante assume o controle, encerra operações, vende bens e paga credores conforme determina a lei, até extinguir completamente o banco.

A decisão interrompe automaticamente qualquer negociação de compra em andamento — incluindo o acordo anunciado recentemente pela Fictor Holding, que previa um aporte imediato de R$ 3 bilhões de investidores dos Emirados Árabes Unidos.

A relação entre BRB e Banco Master

O BRB já havia tentado comprar o Banco Master. A operação, anunciada em março, previa que o banco brasiliense adquirisse:

● 49% das ações ordinárias,

● 100% das preferenciais e

● 58% do capital total do Master.

O negócio passou por trâmites no Cade e na Câmara Legislativa do DF, que aprovou uma lei autorizando a compra. No entanto, o Banco Central barrou a operação meses depois, alegando falta de documentos essenciais que comprovassem a viabilidade econômico-financeira da transação.

Paralelamente, especialistas do setor financeiro já demonstravam preocupação com a situação do Master, que enfrentava dificuldades e oferecia rendimentos muito acima da média do mercado para captar recursos.

Prisão de Daniel Vorcaro e avanço das investigações

A prisão de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, reforça o clima de tensão em torno das negociações. A PF também cumpriu mandados de busca e apreensão, mirando suspeitas de crimes financeiros e possíveis irregularidades na condução da instituição e nas tratativas para sua venda.

O caso deve ser detalhado por Vorcaro e por Paulo Henrique Costa no Senado, onde a Comissão de Assuntos Econômicos aprovou convite para que ambos expliquem a tentativa de compra e a situação do banco.

O que diz o BRB

Em nota, o BRB afirmou que sempre atuou “em conformidade com as normas de compliance e transparência”, prestando informações regulares ao Ministério Público Federal e ao Banco Central sobre todas as operações relacionadas ao Master.

A instituição também reforçou que nenhuma prisão ocorreu dentro do BRB e que a decisão judicial determina apenas o afastamento temporário dos dois executivos. O banco disse seguir operando normalmente e garantiu a continuidade dos serviços aos clientes e parceiros.

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