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Senado dos EUA aprova projeto que revoga tarifas de Trump ao Brasil

Proposta liderada por senador democrata expõe divisões no Partido Republicano e ocorre em meio a negociações entre Lula e Trump

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 5 Min Leitura
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Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se encontram na MalásiaImagem: Ricardo Stuckert/PR
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O Senado dos Estados Unidos aprovou na noite de terça-feira (28) um projeto de lei que prevê a anulação das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump ao Brasil sobre produtos como petróleo, café e suco de laranja. Apesar da aprovação, a proposta tem poucas chances de avançar no Congresso.

Apresentado pelo senador democrata Tim Kaine, da Virgínia, o texto ainda precisa ser analisado pela Câmara dos Representantes, atualmente controlada pelos republicanos. A Casa, porém, aprovou recentemente novas regras que permitem à liderança barrar a tramitação de projetos relacionados a tarifas. Mesmo que o projeto avance, Trump poderia vetá-lo.

Votação simbólica e resistência interna

Para Kaine, a votação tem caráter simbólico e busca forçar um debate sobre “a destruição econômica causada pelas tarifas”. A medida também serve como um termômetro da adesão dos republicanos à política comercial de Trump. O projeto propõe revogar o estado de emergência nacional usado pelo presidente para impor tarifas de importação de até 50% sobre produtos brasileiros desde agosto.

O resultado — 52 votos a favor e 48 contra — revelou fissuras dentro do Partido Republicano. Cinco senadores republicanos apoiaram a proposta junto com todos os democratas: Susan Collins (Maine), Mitch McConnell (Kentucky), Lisa Murkowski (Alasca), Rand Paul (Kentucky) e Thom Tillis (Carolina do Norte).

Aliados de Trump têm demonstrado desconforto com as tarifas, especialmente diante de um cenário de instabilidade econômica. Um relatório do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) apontou que as medidas tarifárias contribuem para o aumento do desemprego e da inflação, além de frear o crescimento econômico.

A Associated Press informou que o senador Kaine pretende apresentar novas resoluções para suspender tarifas impostas a outros países, como o Canadá.

A votação no Senado ocorre em meio a um momento de reaproximação diplomática entre Brasil e Estados Unidos. No domingo (26), os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se reuniram na Malásia por cerca de 45 minutos. O encontro reacendeu as expectativas de exportadores sobre uma possível flexibilização das tarifas.

“O que importa em uma negociação é olhar para o futuro. A gente não quer confusão, quer resultado”, afirmou Lula. Trump respondeu que o encontro foi “muito bom”, mas ponderou: “Eles gostariam de fazer um acordo. Vamos ver, agora mesmo estão pagando cerca de 50% de tarifa.”

Na segunda-feira (27), representantes comerciais dos dois países iniciaram oficialmente o processo de negociação bilateral. Participaram o chanceler Mauro Vieira, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, e o embaixador Audo Faleiro. O grupo definiu um calendário de reuniões focado nos setores mais afetados.

Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, ainda não há data para o próximo encontro. Lula declarou que “não existem temas proibidos” para discussão, incluindo minerais estratégicos, açúcar e etanol, e sugeriu suspender as tarifas enquanto as negociações avançam.

O presidente também contestou a justificativa americana para a imposição das tarifas e entregou a Trump um documento apontando que, nos últimos 15 anos, os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 410 bilhões na balança comercial com o Brasil.

“No G20, só três países têm superávit com os EUA: Brasil, Reino Unido e Austrália”, ressaltou Lula.

O encontro foi descrito como cordial. Trump disse ter sido “uma grande honra” conversar com o brasileiro, e ambos cogitaram visitas recíprocas, ainda sem data definida.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Amcham e outros setores empresariais consideraram o diálogo um “avanço concreto” e demonstraram otimismo quanto a um acordo. “Esperamos concluir em pouco tempo uma negociação bilateral que trate dos setores afetados”, afirmou o chanceler Mauro Vieira.

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