A violência nos condomínios vem crescendo significativamente e tem gerado um cli ma de tensão e perigo para moradores e administradores. Brigas entre vizinhos, injúria, lesão corporal, difamação e calúnia são casos que estão aumentando e preocupam os moradores e a administração destes conjuntos residenciais.
Há um histórico de notícias ruins. Recentemente, na cidade de Águas Claras (DF) um morador foi filmado xingando e ameaçando porteiros e vizinhos de um condomínio. A confusão provocou medo nos moradores e ocorreu no final do dia, quando moradores chegavam do trabalho.
Na cidade do Paranoá (DF), o subsíndico de um residencial tentou dar marteladas em outro morador após uma discussão. A briga foi motivada pela retirada de enfeites de Natal, colocados nos corredores do prédio sem autorização da administração.
No mesmo condomínio, um homem foi preso após esfaquear a síndica e seus familiares no estacionamento do prédio. As agressões se deram em razão de desentendimentos pelo som alto que o agressor mantinha dentro do carro estacionado no condomínio, violando as regras do Regimento Interno.
Decisão judicial
Num caso grave de conduta antissocial, a 2ª Vara Cível de Águas Claras determinou a expulsão de uma moradora do residencial, por apresentar repetidos comportamentos antissociais. A decisão acolheu pedido feito pela associação do condomínio. Segundo consta, a moradora vinha causando transtornos aos demais moradores e possuía mais de 30 reclamações em apenas seis meses, por andar pelo condomínio de biquíni com faca na cintura e facão na mão, soltar bombas, ameaçar vizinhos, invadir outras casas.
Cresce o número de casos de violência nos condomínios
Um estudo realizado na cidade de São Paulo revelou que os casos de violência entre moradores de condomínios estão crescendo em 2025. Em julho de 2020, no início da pandemia de covid-19, foram registrados 985 casos de violência em conjuntos residenciais e moradias compartilhadas. O pico foi computado em 2022, com 1.945 boletins de ocorrência no mesmo período. Mas, em 2025, o número já saltou para 1.952 ocorrências.
Protocolos de enfrentamento
Embora o aumento da violência nos condomínios seja um reflexo do que se vive fora deles, é preciso que os síndicos e moradores adotem protocolos de conduta para enfrentar este tipo de problema. Ao sinal de qualquer tipo de violência dentro do condomínio, em área comum ou unidade autônoma, uma autoridade de segurança pública dever ser acionada por intermédio de um boletim de ocorrência policial.
Alguns escritórios jurídicos possuem equipes para mediação de conflitos, o que ajuda muito nestas situações. Contudo, nos casos em que multas e advertências não tenham resultado efetivo, existem recursos jurídicos para garantir a ordem e, em situações extremas, pode-se analisar a possibilidade de aplicação do artigo do condômino antissocial (artigo 1.337, CC), avaliando a possibilidade de expulsar o infrator do condomínio.
Se o diálogo, a reconciliação ou aplicação multa falharem deve-se recorrer à Justiça para buscar a manutenção da paz social entre os moradores. A troca de ofensas entre moradores preocupa os próprios condôminos, pois acaba refletindo negativamente no convívio social da comunidade.




