À medida que o Enem 2025 se aproxima, marcado para 9 e 16 de novembro, estudantes intensificam os estudos, mas o excesso de memorização mecânica, conhecido como “decoreba”, pode ser mais prejudicial que útil. Psicólogos e educadores destacam que a aprendizagem eficaz vai muito além de apenas gravar informações, envolvendo compreensão, aplicação e repetição estratégica.
Como o cérebro memoriza
A memória é um processo ativo, centrado no hipocampo, que passa por três etapas: codificação, armazenamento e recuperação. Robson Batista Dias, psicólogo especialista em neuropsicologia, explica que ao aprender algo novo, o cérebro cria conexões entre neurônios, chamadas sinapses, que se fortalecem com revisões e aplicações, processo conhecido como potenciação de longo prazo (PLP).
Estudar de forma superficial ou apenas decorar leva o cérebro a armazenar informações na memória de curto prazo, facilmente esquecidas. Outros fatores, como sono ruim, excesso de estudo sem pausas, estresse, falta de rotina e multitarefas, também prejudicam o aprendizado.
Estratégias eficazes de memorização
Métodos mecânicos e repetitivos têm efeito limitado. Técnicas com base científica, mais indicadas para o período pré-Enem, incluem:
Prática de recuperação: resgatar informações sem consultar o material, usando flashcards, resumos mentais e exercícios;
Revisão espaçada: revisar conteúdos em intervalos crescentes, como 1, 3 e 7 dias;
Elaboração: explicar com as próprias palavras e conectar ao que já se conhece.
Quando decorar é útil – e quando evitar
Embora o exame cubra todo o ensino médio, a compreensão é mais valorizada que a memorização. André Ricardo de Castro, do Colégio Fibonacci, reforça que datas ou nomes complexos raramente aparecem, enquanto fórmulas de física e termos específicos de biologia e química podem exigir memorização pontual. Nesse caso, associar informações a experiências pessoais ou criar mnemônicos ajuda a consolidar o aprendizado.
Por outro lado, em Matemática e Linguagens, decorar não é eficiente. Questões de raciocínio lógico ou interpretação exigem compreensão, e “atalhos” memorizados podem induzir ao erro. Na redação, o uso de repertório decorado pode até reduzir a pontuação, já que o Enem valoriza exemplos pertinentes e contextualizados, não modelos prontos.
Alerta sobre redes sociais
Truques e “macetes” do TikTok e outras redes podem criar falsa sensação de preparo. Castro lembra que a pontuação do Enem, baseada na Teoria de Resposta ao Item, privilegia coerência pedagógica e habilidades desenvolvidas ao longo dos anos, não acertos ao acaso. É importante conferir a credibilidade da fonte do material de estudo e priorizar técnicas comprovadas sobre atalhos digitais.




