O ministro dos Esportes, André Fufuca (PP-MA), foi afastado de todas as funções partidárias no Progressistas (PP) após desobedecer à orientação da Executiva Nacional e decidir permanecer no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (8) pelo presidente nacional do partido, Ciro Nogueira (PI), em nota oficial.
De acordo com o comunicado, Fufuca perde a vice-presidência nacional do PP e o comando do diretório estadual do Maranhão, que passará por intervenção. A legenda reiterou que “não faz e não fará parte do atual governo federal”, e que não tem “identificação ideológica ou programática” com a gestão petista.
Conflito com o partido
O impasse começou no início de setembro, quando o PP determinou que Fufuca deixasse o cargo de ministro do Esporte em até 30 dias, prazo que foi prorrogado até o último domingo (5). Mesmo com a pressão, ele reafirmou sua permanência ao lado de Lula durante um evento no Maranhão, no início da semana.
Na ocasião, Fufuca declarou: “Meu corpo pode estar amarrado, mas minha alma, meu coração e minha força de vontade estarão livres para brigar e ajudar Lula”. A fala foi interpretada como um recado direto à cúpula do PP, que já vinha discutindo seu afastamento.
Governo reage à decisão
O presidente Lula criticou a postura do partido e classificou como “bobagem” a tentativa de impor que ministros filiados a legendas de centro ou direita deixem seus cargos. Ele afirmou que pretende conversar com os dirigentes para “restabelecer o bom senso político”.
Outros ministros que enfrentam situação semelhante, como Celso Sabino (União Brasil), do Turismo, também decidiram permanecer no governo, mesmo com a pressão de suas siglas.
Fufuca defende permanência
Após o anúncio do afastamento, André Fufuca divulgou nota afirmando que sua “lealdade é com o povo do Maranhão e com o Brasil”. Ele ressaltou que continuará trabalhando “em favor do esporte e da boa gestão pública”, independentemente de disputas partidárias.
O episódio expõe mais uma fissura entre o Palácio do Planalto e partidos do centrão que, mesmo ocupando cargos estratégicos, buscam se reposicionar politicamente para as eleições de 2026.




