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Profissionais de saúde da rede pública do DF alertam para riscos da Obesidade Infantil

Número de crianças com obesidade supera o de subnutridas pela primeira vez no mundo; cerca de 15% dos jovens brasileiros estão com sobrepeso

Redação
Por Redação 5 Min Leitura
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Reduzir o consumo de embutidos, biscoitos recheados e fast food, priorizando alimentos locais e naturais, ajuda a combater o risco de obesidade infantilImagem: Reprodução
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Uma em cada cinco meninas e meninos entre 5 e 19 anos está acima do peso, o equivalente a aproximadamente 391 milhões de jovens em todo o mundo. Quase metade deles já convive com a obesidade. O alerta foi feito em relatório recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que analisou dados de mais de 190 países. Pela primeira vez, o excesso de peso infantil ultrapassou a desnutrição, acendendo um sinal vermelho para famílias e profissionais de saúde.

Enquanto a subnutrição caiu de 13% em 2000 para 9,2% em 2025, os casos de obesidade triplicaram, chegando a 9,4%. Apenas a África Subsaariana e o sul da Ásia ainda registram mais situações de baixo peso do que de sobrepeso.

Nas unidades de saúde do Distrito Federal, essa mudança já é percebida. O pediatra Luis Henrique, do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), explica que o aumento do excesso de peso entre crianças está diretamente ligado ao consumo de produtos industrializados e ao sedentarismo.

“Hoje, alimentos congelados, embutidos e prontos para consumo acabam sendo mais baratos e práticos do que frutas, verduras e carnes. Isso, somado ao tempo excessivo em frente às telas, faz cada vez mais crianças ganharem peso”, observa.

Segundo ele, as consequências surgem cedo e não devem ser subestimadas. “Estamos vendo meninos e meninas desenvolverem diabetes tipo 2, hipertensão, problemas ortopédicos e até doenças cardiovasculares muito jovens. Além disso, há efeitos emocionais, como bullying e baixa autoestima. Se essa condição se prolonga, vira uma bola de neve difícil de controlar na vida adulta.”

Antes, falar em crianças malnutridas significava pensar em baixo peso por falta de comida. Hoje, a realidade é outra: muitos garotos e garotas têm alimento disponível, mas não recebem nutrientes suficientes para uma dieta equilibrada.

Estudos mostram que a desnutrição ainda é preocupante em crianças menores de 5 anos em países de baixa e média renda. Já entre escolares e adolescentes, o excesso de peso é a condição mais comum.

Situação no Brasil

No Brasil, a obesidade já havia superado a subnutrição antes do ano 2000. Na época, 5% das crianças e adolescentes de 5 a 19 anos conviviam com o problema. Esse índice triplicou até 2022, chegando a 15%.

O Unicef alerta que, sem políticas eficazes de prevenção, os custos podem ser altos. Até 2035, a obesidade e o sobrepeso devem gerar um impacto econômico superior a US$ 4 trilhões por ano no mundo.

Apesar disso, o país foi citado como exemplo positivo por medidas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que restringe ultraprocessados nas escolas, além da rotulagem frontal de alimentos e do banimento de gorduras trans.

Prevenção começa em casa

Para a nutricionista do Hospital Regional de Santa Maria, Ingrid Oliveira, o cuidado precisa começar no ambiente familiar, e pequenas mudanças já fazem a diferença. “Quanto mais cores no prato, melhor, sempre priorizando alimentos locais e naturais. Muitos pais trocam o refrigerante pelo suco de caixinha achando que é saudável, mas não é”, explica.

Ela recomenda reduzir o consumo de embutidos, biscoitos recheados e fast food. “Um pão francês pode ser opção mais adequada do que produtos cheios de aditivos, desde que consumido com moderação”, orienta.

Outro ponto fundamental é a postura dos pais. “Não adianta impor restrições se os adultos não forem referência. Também é essencial reduzir o tempo de telas e estimular atividades ao ar livre”, destaca.

A nutricionista lembra que os efeitos da má alimentação vão muito além do peso. “Nosso corpo não foi feito para lidar com tantos produtos artificiais. Eles afetam não só a saúde física, mas também hormônios, ossos e até o humor de crianças e adolescentes”, conclui.

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