A recente operação da Polícia Federal, em parceria com o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e Receita Federal do Brasil (RFB), descortinou a face mais lucrativa de uma das organizações criminosas mais estruturadas do país: O PCC – Primeiro Comando da Capital. Para além do rastro de mortes e expansão de domínio territorial, a facção modernizou suas linhas de lavagem de dinheiro. Investe em postos de gasolina, ouro e tabaco, mas também ficou demonstrado que usa fundo de investimentos e empresas financeiras diversas para GERAR LUCRO, LAVAR, OCULTAR E BLINDAR o lucro com os citados setores e com o tráfico de drogas.
As investigações revelaram que a organização utilizava fundos, de investimento e empresas do setor financeiro, originados de crimes como tráfico de drogas e sonegação fiscal. A estimativa é de que a movimentação financeira ilegal tenha girado em torno de R$ 52 bilhões, o que a classifica como uma das maiores operações do gênero na história do país.
Operação Carbono Oculto
Na “Faria Lima”, centro financeiro de São Paulo, 42 endereços de três empresas foram alvo de mandados de busca e apreensão: A operação “Carbono Oculto”, por exemplo, focava em importadoras de combustíveis, operando cerca de mil postos de gasolina em dez estados (SP, BA, GO, PR, RS, MG, MA, PI, RJ e TO). As investigações apontam para um esquema que envolvia sonegação fiscal, remessa ilegal de valores ao exterior, lavagem de dinheiro por meio de fintechs e venda de gasolina adulterada.
Pontos Relevantes da operação e do contexto político
1 – Combate obstaculizado por desinformação: A brecha legal que seria combatida desde o início do ano pela Receita Federal, via regulamentação de instrução normativa, foi atacada por uma série de MENTIRAS em VÍDEOS que viralizaram nas mídias sociais, entre eles o do deputado federal Nikolas Ferreira;
2 – Risco da “PEC da Blindagem”: A recente aprovação pela Câmara dos Deputados da PEC 3/2021, apelidada de PEC DA BLINDAGEM, se aprovada no Senado, pode interromper grande parte desse combate às organizações criminosas, tendo em vista que já se vislumbra, de forma bem clara, que há envolvimento de parlamentares e políticos nessas operações. E não custa lembrar que se essa PEC DA IMPUNIDADE FOR APROVADA: DEPUTADO ESTUPROU – A PEC PROTEGE; MATOU DIRIGINDO BÊBADO – A PEC PROTEGE; DESVIOU DINHEIRO PÚBLICO – A PEC PROTEGE!
3 – Conexão com assassinatos: O assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz aponta para envolvimento direto das organizações criminosas. Sua equipe foi a primeira a apresentar um organograma da organização criminosa para combate mais efetivo dela. Lembrando que em novembro do ano passado também tivemos o “cinematográfico” assassinato na área de desembarque do aeroporto de Guarulhos/SP, com envolvimento direto da facção e utilização de policiais do estado de São Paulo para a organização e execução.
PEC 18/2023 – PEC da Segurança Pública
O Estado brasileiro tem diante de si uma encruzilhada. Enquanto a “PEC da Blindagem” pode anular instrumentos de investigação, a PEC 18/2023, a “PEC da Segurança Pública”, surge como uma oportunidade para fortalecer o combate ao crime organizado. A escolha entre uma agenda de impunidade ou de segurança pública dependerá exclusivamente de coragem, vontade política e MUITA PRESSÃO DA POPULAÇÃO.




