Jair Bolsonaro (PL) chegou ao momento mais difícil de sua vida pública. O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para condená-lo por tentativa de golpe de Estado, um marco inédito na história do país: nunca antes um ex-presidente havia recebido sentença por esse crime.
O resultado já era esperado pelo próprio Bolsonaro. Nos últimos meses, ele admitia a aliados que a condenação seria inevitável. A decisão expõe as contradições de sua trajetória, marcada por uma passagem turbulenta pelo Exército, quase três décadas como deputado do baixo clero e a ascensão meteórica à Presidência da República em 2018.
O julgamento
A maioria se consolidou com o voto da ministra Cármen Lúcia, que acompanhou o relator Alexandre de Moraes e os ministros Flávio Dino e Luiz Fux. Para Moraes, Bolsonaro liderou um núcleo do governo que buscava se manter no poder de forma ilegal.
— Jair Messias Bolsonaro foi fundamental para reunir indivíduos de extrema confiança, do alto escalão do governo federal, que integravam o núcleo central da organização criminosa — afirmou o ministro.
Saúde em debate
Nos bastidores, cresce a preocupação com o estado clínico do ex-presidente. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem confidenciado receio sobre os efeitos de uma prisão comum. O temor é que ele não siga corretamente o tratamento necessário para o sistema digestivo e volte a enfrentar crises de erisipela. Esses fatores devem embasar a defesa na tentativa de garantir prisão domiciliar.
Entre aliados, o discurso pela anistia ganhou força, mas a avaliação é de que o Congresso dificilmente abraçará a ideia. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tem feito defesas mais enfáticas, mas interlocutores consideram o movimento mais político do que viável.
Prisões na trajetória
Não é a primeira vez que Bolsonaro enfrenta a prisão. Em 1986, ainda capitão do Exército, passou 15 dias detido após publicar um artigo na revista Veja criticando os salários dos militares sem autorização superior.
Agora, quase quatro décadas depois, o destino o coloca novamente atrás das grades, mas em circunstâncias que marcam para sempre a história política do Brasil.




