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Aguçar os sentidos: aprendizagens e memórias

É no convívio que gera risadas, admiração, conhecimento das histórias de vida daqueles que nos antecederam que criamos as nossas memórias e com elas aprendemos

Sandra Mara Bessa
Por Sandra Mara Bessa  - Professora 3 Min Leitura
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Convívio e memórias que formam pessoas sensíveis e preparadas para o mundoImagem: Freepik
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O desenvolvimento da sensibilidade faz parte da formação integral da pessoa, especialmente porque diz respeito a deitar um olhar mais intuitivo, cuidadoso e atento sobre nós e o mundo que nos rodeia. Ao desenvolver essa competência, estimulamos nossa capacidade sensorial para perceber, compreender e responder de maneira adequada às emoções e aos nossos sentimentos e ao dos outros. Pensar a educação a partir desse preceito implica cultivar a empatia, a análise das circunstâncias que nos levam a reagir positiva ou negativamente e, por fim, trabalhar nossa inteligência emocional.

Competências Socioemocionais

Vale salientar ainda sobre essa perspectiva que uma atuação voltada para este fim se relaciona diretamente com as competências socioemocionais elencadas na Base Nacional Comum Curricular. Tais competências traduzem a necessidade de conhecermos e gerenciarmos nossas emoções, além de estabelecer interações saudáveis e respeitosas com os outros e com o ambiente. Dito de outra forma, parte do autoconhecimento para o convívio com o outro, respeitando-se a sua alteridade. Ao tratarmos das competências socioemocionais, falamos de aspectos como comunicação autêntica e não violenta; empatia e compaixão; gestão de situações conflituosas e adversas por meio de uma tomada de decisão responsável.

Responsabilidades da família e da escola

Sabendo-se disso, a questão que trago hoje para nossa reflexão se manifesta no como fazer isso. Vemos hoje o quanto as famílias se abstêm dessa formação tão necessária, deixando-a, em muitos casos, a responsabilidade sobre a escola e seus professores. Por outro lado, vemos um movimento em que a escola diz que não é responsável por educar as crianças, mas ensiná-las. E, na verdade, ambas têm essa responsabilidade. Educar se inicia na família e se estende até o espaço escolar. Não há como se descolar uma coisa da outra… Os mais antigos já nos diziam que se aprende com o exemplo. E quem deve especificamente ser exemplo para nossas crianças?

Desenvolver nossa sensibilidade passa, portanto, por vivenciar e compartilhar as mais diferentes experiências. É no cotidiano que estes sentidos nos são apresentados. É na valorização do perfume e do carinho envolvidos nos alimentos que consumimos em casa por meio do diálogo sobre esse momento de prazer. É no convívio que gera risadas, admiração, conhecimento das histórias de vida daqueles que nos antecederam que criamos as nossas memórias e com elas aprendemos. É naquela viagem ou naquele passeio em que dividimos impressões, visitamos locais de que gostamos, observamos a cultura do outro que aprendemos a ver o diferente como algo possível e que merece nosso respeito. Aguçar os sentidos é, por fim, educar nosso olhar e nossa alma para compreender o que nos rodeia.

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Posted by Sandra Mara Bessa Professora
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Gestora de projetos e especialista em Educação
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