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Governo dá sinal verde para ANPD suspender redes por até 30 dias

Projeto de lei autoriza bloqueio provisório de plataformas que ignorarem remoção de conteúdo ilícito

Giza Soares
Por Giza Soares 3 Min Leitura
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Vídeo de Felca sobre abusos contra crianças impulsiona avanço da proposta no CongressoImagem: Reprodução/redes sociais
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No coração do Planalto, uma proposta que promete acirrar o debate sobre liberdade, segurança e controle digital está prestes a ganhar os holofotes do Congresso. O governo Lula finalizou o texto de um projeto de lei que dá à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), vinculada ao Ministério da Justiça, o poder de suspender temporariamente redes sociais por até 30 dias, sem a necessidade de autorização judicial prévia, quando estas se recusarem de forma reiterada a remover conteúdos considerados ilícitos.

Entre a urgência e o consenso

O objetivo declarado é proteger crianças e adolescentes de crimes, fraudes e abusos virtuais. A proposta nasceu de divergências internas. Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça, defendia a suspensão sem aval da Justiça. Sidônio Palmeira, da Secom, queria a decisão intermediada por um canal rápido com o Judiciário. O meio-termo encontrado prevê bloqueio provisório com posterior análise judicial.

Mais que um ajuste técnico, a medida vem sendo tratada como resposta imediata a um ambiente digital cada vez mais vulnerável. A ANPD passaria a atuar como fiscal e reguladora, com poder para intervir antes que o dano se espalhe. A suspensão teria prazo máximo de 30 dias e só poderia ser prorrogada com autorização judicial.

Regulação com timing político

O texto, mantido em sigilo por meses, aguardava o momento certo para ser enviado ao Legislativo. A decisão veio após o STF julgar o artigo 19 do Marco Civil da Internet, que limita a responsabilidade das plataformas à ordem judicial. No Planalto, avalia-se que episódios recentes, como a repercussão do vídeo do influenciador Felca citando abusos contra crianças, criaram um cenário mais favorável para a tramitação.

Se aprovado, o projeto reforçará a aplicação de leis já existentes, como o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Código de Defesa do Consumidor, ao ambiente virtual. Mais do que regular, a proposta busca agir rápido. Nas palavras de um auxiliar do governo, “não é sobre calar vozes, é sobre impedir que o silêncio das vítimas seja eterno”.

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