O Brasil vive um novo capítulo de instabilidade política e institucional. Nas últimas semanas, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro como o uso de tornozeleira eletrônica, toque de recolher e proibição de acesso a redes sociais e embaixadas acirraram os ânimos dentro e fora do país. A ordem, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, baseia-se em investigações sobre articulações antidemocráticas e tentativas de interferência estrangeira após as eleições de 2022.
Oposição contesta
A oposição reagiu com dureza. Senadores ligados ao PL e partidos aliados classificaram a ação do STF como autoritária e prometeram reagir no Congresso. “Vivemos um estado de exceção. É uma perseguição política escancarada”, afirmou o senador Carlos Portinho (PL-RJ). Houve tentativa de suspender o recesso parlamentar para viabilizar votações de resposta às decisões do Supremo, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manteve o calendário de recesso até agosto.
A tensão atravessou fronteiras. O governo dos Estados Unidos, sob influência de aliados de Donald Trump, revogou os vistos de oito ministros do STF e do procurador-geral da República. Lula classificou a medida como uma afronta à soberania brasileira. Trump, por sua vez, intensificou o confronto e ameaçou aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de agosto, em defesa de Bolsonaro.
Senado dividido
No Senado, a polarização se aprofundou. Mais de 29 pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes foram protocolados, a maioria por parlamentares bolsonaristas. “O mundo está de olho na perseguição política que ocorre aqui”, disse o senador Jorge Seif (PL-SC), celebrando a resposta americana.
Já os senadores da base governista defendem a legalidade das medidas. “As instituições estão funcionando. O STF age para proteger a democracia. Quem teme a Justiça é quem tem culpa”, rebateu Humberto Costa (PT-PE). Para o governo, a ofensiva internacional e os ataques internos colocam à prova o equilíbrio entre os Poderes.
Com o Congresso ainda em recesso, o impasse tende a se intensificar nas próximas semanas. O Brasil permanece no centro de uma disputa que envolve lideranças nacionais, tensões ideológicas e interesses internacionais. Os desdobramentos dessa crise seguem abertos e imprevisíveis.




