Em teoria, a infância é uma fase leve e feliz. Mas na prática, cada vez mais crianças estão lidando com sentimentos que costumavam ser associados apenas à vida adulta, como o estresse e a ansiedade.
A ansiedade infantil é uma realidade crescente e, muitas vezes, silenciosa. Ela pode se manifestar de forma sutil, através de comportamentos que os pais inicialmente interpretam como “manha” ou “timidez”, e por isso é frequentemente negligenciada.
Mas é importante entender: ansiedade não é frescura. Ela é uma resposta fisiológica e emocional a situações percebidas como ameaçadoras. O problema surge quando essa resposta se torna exagerada, constante ou interfere na rotina da criança.
Principais sinais de alerta
Entre os principais sinais de alerta estão a irritabilidade frequente, dificuldade para dormir, queixas físicas recorrentes (como dor de cabeça ou dor de barriga), medo exagerado de situações comuns, choro excessivo, dificuldade de separação dos pais e queda no desempenho escolar, isolamento, baixa autoestima, perfeccionismo e comportamentos compulsivos. Esses sinais podem variar de acordo com a idade e o temperamento da criança.
Causas
As causas da ansiedade infantil são multifatoriais. Fatores genéticos, mudanças na rotina, separação dos pais, pressão escolar, excesso de telas, bullying e até o ritmo acelerado da vida moderna podem contribuir para o surgimento ou agravamento do quadro.
A pandemia da COVID-19, por exemplo, potencializou muitos desses fatores. O isolamento social, a perda de vínculos, a interrupção das aulas presenciais e a insegurança coletiva criaram um ambiente propício para o aumento dos casos de ansiedade em crianças e adolescentes.
Tratamento
A boa notícia é que a ansiedade pode ser tratada. O primeiro passo é acolher, escutar a criança sem julgamentos e validar seus sentimentos. Em seguida, é fundamental oferecer segurança emocional, rotina estruturada e momentos de conexão com a família.
Para tanto é necessário retirar as crianças dos jogos, vídeos e filmes e os adolescentes das redes sociais, diminuindo seu tempo de exposição, de acordo com as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, no intuito de trazê-los para o mundo real.
Atividades que promovam relaxamento, como esportes, arte, música e brincadeiras ao ar livre, também ajudam a reduzir a tensão e fortalecer a saúde emocional. Em casos persistentes, o acompanhamento com psicólogo infantil é essencial. Terapias cognitivas e comportamentais apresentam ótimos resultados, e o envolvimento da família é um fator decisivo para o sucesso do tratamento.
Por fim, vale lembrar: crianças emocionalmente saudáveis se tornam adultos mais resilientes. Ao olhar com atenção e carinho para os sinais de ansiedade, ajudamos nossos filhos a desenvolverem ferramentas para enfrentar o mundo com equilíbrio e confiança.




