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Governo reage à taxação dos EUA e convoca setor produtivo para negociar saída

Com apoio da indústria e do agronegócio, Alckmin lidera esforço para reverter tarifa de 50% imposta por Trump a produtos brasileiros

Redação
Por Redação 3 Min Leitura
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Vice-presidente Geraldo Alckmin durante reunião com empresários em Brasília: governo busca apoio do setor produtivo para enfrentar taxação dos EUAImagem: Lula Marques/Agência Brasil
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Em resposta à taxação de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo federal intensificou os esforços diplomáticos e comerciais nesta terça-feira (15). O vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, comandou reuniões com representantes da indústria pela manhã e, à tarde, com o agronegócio.

A mobilização marca o início do trabalho do recém-criado Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, que une os ministérios do Desenvolvimento, da Fazenda, das Relações Exteriores e da Casa Civil. A estratégia é clara: envolver o setor produtivo e buscar, com firmeza e diálogo, uma saída para o impasse.

Durante o encontro com empresários, Alckmin destacou que o governo busca uma solução sem confronto institucional, mas com responsabilidade. “Queremos resolver essa questão com serenidade. Não cabe ao Executivo desrespeitar os demais Poderes, como já foi sugerido por autoridades norte-americanas”, afirmou, em referência indireta às críticas recentes do ex-presidente Donald Trump ao Supremo Tribunal Federal.

Diálogo e proposta de negociação

O vice-presidente classificou a medida como “inadequada” e destacou que a taxação prejudica ambos os lados, principalmente em setores como o siderúrgico, onde a relação de comércio é intensa e interdependente. Segundo ele, empresas americanas que atuam no Brasil e mantêm relações comerciais com o país também serão ouvidas.

A reação brasileira já havia começado antes do anúncio oficial da nova tarifa. Alckmin revelou que, em maio, o governo enviou uma proposta de negociação em caráter confidencial aos Estados Unidos — que até agora permanece sem resposta. Mesmo assim, reuniões técnicas continuaram até a véspera da decisão.

A nova lei de reciprocidade econômica, aprovada pelo Congresso e regulamentada nesta terça, deve orientar as ações do governo caso a taxação entre em vigor, prevista para 1º de agosto. O texto permite adoção de medidas equivalentes contra países que prejudiquem os interesses comerciais do Brasil.

Vamos trabalhar junto à iniciativa privada para proteger a economia nacional e manter o diálogo aberto. O Brasil não tem superávit com os EUA, muito pelo contrário. A medida não se sustenta nem do ponto de vista comercial, reforçou Alckmin.

Agora, com o setor produtivo mobilizado e respaldo legal definido, o governo espera conseguir reverter a decisão norte-americana e evitar impactos negativos sobre a economia dos dois países.

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