Brasília dará um passo inédito no acolhimento social com a inauguração do seu primeiro hotel social para pessoas em situação de rua. Localizado no centro da capital, o espaço terá capacidade para 200 pessoas e se destaca por ser o único do país a permitir a entrada de animais de estimação, reconhecendo a importância desse vínculo afetivo para quem vive em extrema vulnerabilidade.
A nova estrutura funcionará de forma permanente, diferente do abrigo sazonal voltado ao frio, atualmente instalado no Centro Integrado de Educação Física (Cief). A proposta vai além de um simples local de pernoite. Os acolhidos terão acesso a banho quente, jantar e café da manhã, além de acompanhamento socioassistencial.
Essa iniciativa reforça o compromisso do governo com a inclusão social e a dignidade humana. Acolher os animais dessas pessoas é reconhecer o laço afetivo que, muitas vezes, é o único que elas têm, afirmou o secretário-chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, coordenador da política distrital voltada à população em situação de rua.
A governadora em exercício, Celina Leão, também destacou o caráter transformador do projeto. Para ela, o hotel social é uma ponte para que essas pessoas se sintam apoiadas e se aproximem de outras políticas públicas, como capacitação profissional e oportunidades de trabalho.
A ideia nasceu durante a pandemia de covid-19, período em que a vulnerabilidade da população em situação de rua ficou ainda mais evidente. Na época, o governo montou dois alojamentos temporários que tiveram alta adesão. A secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, conta que foi ali que surgiu o embrião do projeto, ao perceberem que a oferta de um espaço para dormir poderia ser a porta de entrada para ações mais amplas de inclusão social.
O hotel social funcionará das 19h às 8h e será administrado por uma Organização da Sociedade Civil (OSC). Além da alimentação dos hóspedes, o espaço contará com um canil estruturado para receber os animais, que também terão cuidados garantidos.
Para facilitar o acesso ao local, ônibus farão o transporte a partir da Rodoviária do Plano Piloto e do Centro Pop, na Asa Sul, locais que concentram grande parte da população em situação de rua da cidade.
Acolhimento social
O trabalho não se encerrará no acolhimento noturno. As equipes especializadas farão o acompanhamento social dos atendidos, buscando encaminhá-los para unidades de acolhimento e, futuramente, para cursos de qualificação e vagas no mercado de trabalho.
O Distrito Federal tem avançado nas políticas públicas voltadas a essa população. Em maio, o GDF oficializou o Plano de Ação para a População em Situação de Rua, com ações semanais de acolhimento. Mais recentemente, foi criado o programa Acolhe DF, que prevê busca ativa e tratamento para pessoas em situação de rua com dependência química.
Durante o inverno, o governo também mantém a Ação contra o Frio, oferecendo abrigos e distribuindo agasalhos e cobertores arrecadados pela campanha Agasalho Solidário.
Com o hotel social, Brasília dá um passo além: oferece abrigo, mas também afeto, respeito e a chance de recomeçar.




