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Curso técnico gratuito forma mulheres em áreas culturais do DF

Projeto Luz, Som e Ação oferece formação gratuita com foco em iluminação, som e produção, promovendo igualdade de gênero no setor cultural

Redação
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Participantes do projeto Luz, Som e Ação durante oficina prática em Ceilândia: formação gratuita abre espaço para mulheres em áreas técnicas da cultura no DFImagem: Matheus H. Souza/Agência Brasília
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A sala do Espaço Jovem de Expressão, em Ceilândia, virou ponto de encontro para troca de experiências, aprendizado e fortalecimento feminino. O motivo foi o início das oficinas práticas e teóricas do projeto Luz, Som e Ação, que oferece formação gratuita nas áreas de técnica de iluminação e roadie, voltada exclusivamente para mulheres.

A iniciativa é realizada pela Guia Acessibilidade Inclusiva, com apoio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), do Instituto Federal de Brasília (IFB) e do Jovem de Expressão. Segundo Ellen Oliveira, idealizadora do projeto, o incentivo público foi essencial para tornar a proposta viável: “Estamos há 15 anos no mercado de produção e esses aportes financeiros são fundamentais. Com o incentivo, conseguimos remunerar toda a equipe e atender o maior número de pessoas possível”.

O projeto nasceu da dificuldade recorrente em contratar mulheres para funções técnicas em eventos culturais.

Temos um festival de samba pautado na equidade de gênero, mas sempre enfrentamos obstáculos para encontrar profissionais mulheres em áreas como direção de palco, iluminação e áudio. A partir disso, surgiu a ideia de criar um curso voltado ao protagonismo feminino nesse setor, explica Ellen.

Durante os cinco encontros, com carga horária total de 15 horas, as participantes têm acesso a conteúdos teóricos e práticos sobre eletricidade, história da luz no teatro e manuseio de equipamentos como refletores, dimmers e mesas de luz. Ao final, recebem certificação e ainda levam um instrumento de iluminação criado por elas mesmas. Todas as aulas contam com intérprete de Libras e audiodescrição, promovendo acessibilidade completa.

A procura pelo curso surpreendeu: 116 mulheres se inscreveram — 51 para a oficina de roadie e 65 para a de iluminação —, apesar das 40 vagas iniciais. As capacitações ocorrem no IFB Recanto das Emas e no Espaço Jovem de Expressão, com turmas pela manhã.

Mais do que um curso

Para Sâmela Borges, 33, gerente de imobiliária e fotógrafa recém-formada, a oficina amplia possibilidades.

Esse curso vai me dar mais autonomia nos ensaios fotográficos e contribuir para o que estou planejando na minha carreira, afirma. Ela também destaca a importância de iniciativas que ajudem a ocupar espaços masculinos no mercado de trabalho. “É um conteúdo rico, gratuito e de fácil acesso”.

Nathalia Oliveira, 28, técnica de audiovisual, reforça a potência criativa do curso. “Não existe imagem sem luz. Uma boa iluminação transmite sensações, realça detalhes. Acredito que essa formação vai ampliar minha criatividade e agregar mais técnica ao meu trabalho”, comenta.

Além da qualificação, o Luz, Som e Ação se conecta aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente os de número 4 (Educação de Qualidade) e 5 (Igualdade de Gênero). Mais do que capacitar, a iniciativa abre caminhos para que mais mulheres ocupem com segurança e autonomia funções fundamentais na cadeia produtiva da cultura.

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