As populares medicações para emagrecimento, como semaglutida (Wegovy e Ozempic) e tirzepatida (Mounjaro), estão no centro de um novo alerta de saúde. Autoridades do Reino Unido recomendaram cautela no uso desses medicamentos por mulheres em idade fértil, após registros de gestações inesperadas. O principal motivo, os remédios podem comprometer a eficácia de anticoncepcionais orais.
Esses medicamentos agem imitando hormônios naturais como o GLP-1 e o GIP, que ajudam a reduzir o apetite e controlar o peso. No entanto, eles também desaceleram o esvaziamento gástrico, o que interfere na absorção de substâncias ingeridas por via oral, como é o caso das pílulas anticoncepcionais.
Interferência na absorção dos anticoncepcionais
Um estudo recente apontou que a tirzepatida reduziu em até 20% a quantidade de etinilestradiol, composto presente em pílulas combinadas, absorvida pela corrente sanguínea. Além disso, o tempo necessário para a absorção completa aumentou em até quatro horas. Isso impacta diretamente a eficácia contraceptiva, especialmente no início do uso da medicação para emagrecimento.
A semaglutida também apresentou efeitos semelhantes, embora menos intensos. A explicação mais aceita é que, ao retardar o esvaziamento gástrico, essas drogas dificultam a chegada do hormônio ao intestino delgado, onde ele normalmente é absorvido.
Perda de peso pode aumentar fertilidade
Além da questão hormonal, há outro fator importante, a perda de peso causada por essas medicações pode aumentar a fertilidade das mulheres, mesmo daquelas que antes tinham dificuldades para engravidar. Isso é especialmente relevante em casos de obesidade associada à síndrome dos ovários policísticos, que afeta o funcionamento dos ovários.
Com isso, o risco de uma gravidez não planejada aumenta, mesmo quando há uso de métodos anticoncepcionais orais.
Formas de contracepção mais seguras
Outros métodos anticoncepcionais, como DIUs hormonais ou de cobre, implantes, adesivos e preservativos, não são afetados pelas medicações para emagrecer. Isso porque esses métodos não dependem da absorção gastrointestinal.
Especialistas recomendam que, nas primeiras quatro semanas de uso de semaglutida ou tirzepatida, as mulheres que tomam pílula também utilizem um método de barreira, como o preservativo. Esse é o período em que os efeitos colaterais das medicações costumam ser mais intensos.
Recomendações médicas durante a gravidez
Caso a mulher engravide durante o uso de algum desses medicamentos, é essencial procurar orientação médica o quanto antes. A falta de estudos conclusivos sobre a segurança das substâncias durante a gestação exige atenção redobrada e, possivelmente, a interrupção do uso das medicações.




