Guerra dos sigilos acirra disputa entre Lula e Flávio

Dallagnol questiona documentos apresentados ao TSE, enquanto campanhas divergem sobre o alcance da abertura de informações

Giza Soares
Por Giza Soares 2 Min Leitura
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O ex-procurador da Lava Jato assumiu a análise dos documentos em meio à reta final da disputa presidencialIMAGEM: Agência Brasil
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A três dias do segundo turno, uma pergunta movimenta os bastidores da eleição presidencial: quem está realmente disposto a abrir seus sigilos? O desafio lançado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Flávio Bolsonaro (PL) transformou-se em uma disputa jurídica que chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Tudo começou no debate da Band, no domingo (18), quando Lula propôs que ambos autorizassem o acesso a informações bancárias, fiscais e telefônicas. Flávio aceitou, mas apresentou 19 condições, incluindo dados de familiares, empresas e pessoas próximas ao presidente.

Na quinta-feira (22), o ex-procurador da Lava Jato e senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), designado pela campanha de Flávio para examinar os documentos, acusou Lula de não cumprir o compromisso.

Mais uma vez, ele mentiu e ele quebrou a promessa”, declarou Dallagnol.

Segundo a equipe de Flávio, os documentos iniciais apresentavam limitações envolvendo o Instituto Lula e informações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro. Advogados do senador solicitaram alterações para ampliar o alcance das autorizações.

Após negociações, representantes das campanhas assinaram um acordo para viabilizar o acesso aos dados. Entretanto, Dallagnol questionou a ausência de documentos efetivos para análise.

Versões divergentes

A campanha de Lula sustenta que aceitou as condições negociadas e disponibilizou as autorizações necessárias. Já os representantes de Flávio afirmam que somente apresentarão seus próprios dados após verificar o cumprimento integral dos compromissos pelo adversário.

A controvérsia envolve ainda pedidos de informações sobre cartões corporativos da Presidência, viagens oficiais e movimentações financeiras de pessoas ligadas ao governo.

Mais do que um embate entre candidatos, a disputa levanta uma questão importante: até que ponto a promessa de transparência se transforma em acesso efetivo aos documentos?

Com a votação marcada para domingo (25), o desafio permanece cercado de cobranças. O acordo representa um avanço nas negociações, mas não significa que todos os registros solicitados já tenham sido disponibilizados ou examinados.

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