Psicologia ganha protagonismo na Seleção e ajuda Brasil a enfrentar pressão da Copa de 2026

Com presença constante na rotina dos jogadores, Marisa Santiago se tornou peça estratégica para lidar com cobranças, oscilações e desafios emocionais do Mundial

Danieli Aguiar
Por Danieli Aguiar 5 Min Leitura
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Marisa Santiago acompanha atividade da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de 2026. Psicóloga integra a comissão técnica e atua no suporte emocional dos atletas ao longo da competiçãoImagem: Rafael Ribeiro/CBF
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A campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 tem mostrado que talento técnico e preparação física não são os únicos fatores decisivos dentro de campo. Em meio à pressão pelo sonhado hexacampeonato e às oscilações apresentadas pela equipe ao longo do torneio, o trabalho da psicóloga Marisa Santiago passou a ocupar um espaço cada vez mais relevante nos bastidores da delegação.

Integrante fixa da comissão técnica desde 2024, Marisa acompanha os atletas diariamente e se tornou uma das responsáveis por auxiliar o grupo a administrar ansiedade, expectativas e desafios emocionais típicos de uma competição do porte da Copa do Mundo. A presença constante da profissional marca uma mudança histórica na cultura da Seleção Brasileira, que durante décadas tratou a psicologia como um recurso secundário.

Apoio além dos consultórios

Marisa conta com um espaço reservado para atendimentos individuais, mas sua atuação vai muito além das conversas formais. Ela acompanha treinos, atividades internas e momentos de convivência dos jogadores, observando comportamentos e identificando situações que possam exigir algum tipo de intervenção.

Embora nem todos os atletas procurem atendimento diretamente, a resistência à psicologia tem diminuído nos últimos anos. Muitos jogadores já mantêm acompanhamento profissional em seus clubes e passaram a enxergar o suporte emocional como parte da preparação esportiva de alto rendimento.

Segundo profissionais da área, pequenas conversas e orientações pontuais podem fazer diferença significativa em momentos de pressão, especialmente durante uma competição curta e intensa como a Copa do Mundo.

Confiança de Ancelotti fortalece trabalho

A chegada do técnico Carlo Ancelotti ampliou ainda mais a valorização do trabalho psicológico dentro da Seleção. Conhecido por defender uma gestão baseada no equilíbrio emocional dos atletas, o treinador italiano mantém diálogo frequente com Marisa Santiago e utiliza suas observações para compreender melhor o ambiente do grupo.

Após uma das partidas do Brasil no Mundial, Ancelotti destacou a tranquilidade apresentada pelos jogadores e associou esse comportamento ao ambiente construído dentro da delegação.

O respaldo do treinador reforça uma tendência cada vez mais presente no futebol internacional, onde aspectos emocionais passaram a ser tratados com a mesma importância que a preparação física e tática.

Mudança histórica no futebol brasileiro

Esta é a primeira Copa do Mundo em que a Seleção Brasileira masculina conta com uma psicóloga integrada permanentemente à delegação. Em outras edições, profissionais da área chegaram a colaborar com a equipe, mas de forma pontual ou temporária.

Em 1998, o técnico Vanderlei Luxemburgo levou a psicóloga Suzy Fleury para a comissão técnica. Já Luiz Felipe Scolari contou com o apoio de Regina Brandão nas campanhas de 2002 e 2014. Apesar disso, os trabalhos não tinham a mesma presença diária observada atualmente.

Nas Copas de 2018 e 2022, sob o comando de Tite, a Seleção optou por não incorporar um psicólogo à comissão técnica durante o torneio.

Saúde mental como parte do desempenho

A contratação de Marisa Santiago ocorreu dentro de um processo de reformulação promovido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que passou a investir mais diretamente em saúde mental e desenvolvimento humano dos atletas.

Mestre em Ciências do Esporte pela Universidade Federal de Minas Gerais, a profissional acumula passagens por clubes como Atlético Mineiro, Bahia, Cruzeiro e Grêmio, além de experiências em equipes de vôlei antes de migrar para o futebol.

Ao longo da Copa de 2026, o trabalho desenvolvido nos bastidores tem sido visto como um dos fatores que ajudam a equipe a enfrentar momentos de instabilidade e cobranças externas. Em um cenário em que cada jogo aumenta a pressão por resultados, a psicologia deixou de ser apenas um apoio complementar para se tornar uma ferramenta estratégica dentro da Seleção Brasileira.

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