Alterações bruscas de temperatura: como as mudanças afetam a saúde das crianças em Brasília

A higiene das mãos continua sendo uma das ferramentas mais importantes para reduzir a transmissão de doenças respiratórias

Dr. Tiago Oyama
Por Dr. Tiago Oyama  - Pediatra 5 Min Leitura
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Atenção aos sinais de alerta ajudam a proteger as crianças durante o período de frio e baixa umidadeImagem: Ualisson Noronha/Agência Saúde-DF
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Brasília vive um fenômeno bastante característico nesta época do ano: manhãs e noites frias, com temperaturas que podem chegar a 13°C ou menos, e tardes quentes e secas, frequentemente acima dos 25°C. Essas oscilações térmicas, somadas à baixa umidade do ar, representam um desafio para o organismo de todos, especialmente das crianças, cujo sistema imunológico e respiratório ainda estão em desenvolvimento.

Uma dúvida muito comum entre os pais é se o frio, por si só, causa doenças. A resposta é não. O frio não provoca infecções diretamente. O que acontece é que as mudanças bruscas de temperatura favorecem alterações nas vias respiratórias, tornando-as mais vulneráveis à ação de vírus e bactérias já presentes no ambiente.

Estresse fisiológico

Quando a criança passa rapidamente de um ambiente frio para outro quente — ou vice-versa — ocorre um estresse fisiológico sobre as mucosas do nariz, da garganta e dos pulmões. Essas estruturas funcionam como uma importante barreira de proteção contra agentes infecciosos. Quando ficam ressecadas ou irritadas, tornam-se menos eficientes na defesa do organismo.

Além disso, durante os períodos mais frios, é comum que as famílias permaneçam por mais tempo em ambientes fechados. A menor circulação de ar favorece a transmissão de vírus respiratórios, como rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR), influenza e outros responsáveis por resfriados e síndromes gripais.

Doenças mais frequentes

Entre as doenças mais frequentemente observadas nessa época estão os resfriados comuns, gripes, sinusites, otites, amigdalites, crises de rinite alérgica e exacerbações de asma. Em crianças menores, especialmente aquelas com menos de dois anos, também pode haver aumento dos casos de bronquiolite e outras infecções respiratórias inferiores.

As crianças que apresentam histórico de alergias respiratórias merecem atenção especial. O ar seco típico do Distrito Federal favorece o ressecamento das vias aéreas e aumenta a concentração de poeira e outros alérgenos no ambiente. Como consequência, sintomas como espirros, coceira no nariz, congestão nasal e tosse podem se intensificar significativamente.

Hidratação

Outro fator importante é a hidratação. Muitas pessoas associam a necessidade de beber água apenas aos dias quentes. No entanto, durante o inverno e nos períodos de clima seco, a perda de líquidos pelo organismo continua ocorrendo. Crianças desidratadas apresentam mucosas mais ressecadas e, consequentemente, menos protegidas contra agentes infecciosos.

A prevenção começa com medidas simples. Vestir as crianças em camadas é uma das estratégias mais eficazes. Dessa forma, é possível retirar ou acrescentar peças ao longo do dia conforme a temperatura varia. O excesso de roupa também deve ser evitado, pois pode causar superaquecimento e desconforto.

A higiene das mãos continua sendo uma das ferramentas mais importantes para reduzir a transmissão de doenças respiratórias. Ensinar as crianças a lavar as mãos regularmente e evitar compartilhar objetos pessoais são hábitos que fazem grande diferença na prevenção de infecções.

Muitos pais perguntam sobre vitaminas para fortalecer a imunidade. É importante esclarecer que, para crianças saudáveis, não existe uma vitamina milagrosa capaz de impedir infecções. A melhor estratégia para um sistema imunológico eficiente continua sendo uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, proteínas de qualidade e boa hidratação. A suplementação vitamínica deve ser individualizada e orientada pelo pediatra quando houver indicação clínica.

A vitamina D merece destaque por sua participação em diversas funções imunológicas. Entretanto, sua suplementação não deve ser realizada indiscriminadamente. O ideal é que a necessidade seja avaliada pelo médico, considerando idade, hábitos de exposição solar e condições clínicas da criança.

Por fim, é fundamental que os pais fiquem atentos aos sinais de alerta. Febre persistente, dificuldade para respirar, sonolência excessiva, recusa alimentar importante, chiado no peito ou piora progressiva dos sintomas respiratórios são situações que exigem avaliação médica. Com cuidados simples e atenção aos hábitos saudáveis, é possível atravessar esse período de grandes variações climáticas com mais segurança e menos doenças, garantindo o bem-estar e a saúde das nossas crianças.

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Posted by Dr. Tiago Oyama Pediatra
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Graduado em Medicina pela Universidade de São Paulo (Campus Ribeirão Preto); Residência Médica em pediatria no Hospital das Clínicas da USP - Ribeirão Preto; Residência Médica em Terapia Intensiva Pediátrica; Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria; Especialista em Terapia Intensiva Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Pediatria.
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