Em muitas das nossas reflexões aqui, temos discutido sobre a imprescindibilidade de se criar uma cultura de paz, de se cuidar da saúde mental e emocional, de sabermos lidar com as mais diferentes violências com que nos deparamos cotidianamente. Esse escopo de autocuidado e autogestão nos impele a deitarmos um olhar mais atento às nossas necessidades individuais e às necessidades do outro que conosco caminha na vida. Trata-se, nessa perspectiva, de nos educar para o equilíbrio entre o individual e o coletivo, sem o qual a vida perde o sentido, posto que somos seres essencialmente sociais e, desde a infância, é no confronto com o que somos e o que percebemos no outro que conformamos nossa identidade.
Escolha intencional
Ao trazer a experiência da leveza como elemento que deve anteceder nossas vivências, escolhemos o caminho da articulação, da interação, da integração… À revelia do contexto que nos impele ao confronto, ao estresse e à ruptura, podemos optar pelo cuidado, pela escuta, pela empatia como comportamento que nos conduz a uma percepção de mundo diversa em que o desejo do consenso se sobreponha à incapacidade de controlar impulsos ou destemperos.
O resultado dessa escolha intencional pode determinar nossa qualidade de vida na medida em que não nos deixamos levar para situações muitas vezes inopinadas que se traduzem, com maior ou menor intensidade, nas tantas violências que temos presenciado.
Essa forma de conduzir nossas atitudes, e por consequência a vida, prepara-nos para enfrentar com maior clareza e lucidez os desafios do dia a dia, possibilitando que não nos desgastemos com o desnecessário. Dito de outra forma, ao adotarmos essa postura, livramo-nos de situações indesejadas e de problemas que nos empurram para a deterioração de nosso equilíbrio interno, o que causa problemas de ordem física e mental.
A autogestão trata, entre outras coisas, de se alcançar um nível de inteligência emocional que nos ampara, acolhe e desenvolve como pessoas. É preciso salientar que não se trata de uma ausência de problemas ou obstáculos, mas de se ter a capacidade de lidar com as adversidades.
Competência socioemocional
A experiência da leveza deve ser trabalhada como competência socioemocional, sendo vista como potencializadora de nossa maturidade para lidar com as dificuldades e com as frustrações que simplesmente fazem parte da vida.
E isso deve ser trabalhado, desde a primeira infância, para que possamos compreender que esperar, relevar, observar e desapegar fazem parte de nossas aprendizagens mais caras nesses tempos que nos levam para a pressa, o imediatismo, a ansiedade: o aprender a ser, o aprender a conviver e o aprender a transcender. Educar para uma vida mais leve consiste, dessa forma, em decidir deixar de lado o que nos pesa para seguir em frente com o que abre espaço para nosso crescimento.




