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Brasil revoga visto de assessor de Trump que pretendia visitar Bolsonaro em Brasília

Governo cita princípio de reciprocidade diplomática após negativa de entrada ao ministro da Saúde Alexandre Padilha nos Estados Unidos

Danieli Aguiar
Por Danieli Aguiar 4 Min Leitura
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Darren Beattie, assessor do governo de Donald Trump, teve o visto para entrar no Brasil revogado após planejar visita a Jair Bolsonaro em BrasíliaImagem: Reprodução
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O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) revogou o visto de Darren Beattie, assessor do presidente dos Estados Unidos Donald Trump para temas relacionados ao Brasil. Ele tinha viagem marcada ao país na próxima semana e pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso na Papudinha, em Brasília.

A decisão ocorre após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negar o pedido da defesa de Bolsonaro para que o encontro ocorresse na unidade prisional. Segundo o governo brasileiro, a revogação do visto segue o princípio de reciprocidade adotado nas relações diplomáticas, prática também utilizada pelos Estados Unidos.

Declaração de Lula

Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Beattie só poderá entrar no Brasil quando a situação envolvendo o ministro da Saúde Alexandre Padilha for resolvida.

Segundo Lula, o assessor norte-americano foi impedido de visitar Bolsonaro e, por isso, também foi proibido de entrar no país enquanto os vistos do ministro da Saúde permanecerem bloqueados pelos Estados Unidos.

Em agosto do ano passado, o governo norte-americano cancelou os vistos da esposa e da filha de 10 anos de Padilha. O visto do ministro não foi formalmente cancelado porque já estava vencido.

Motivo da revogação

De acordo com fontes diplomáticas ouvidas pela GloboNews, o governo brasileiro avalia que o assessor do governo Trump teria informado um motivo diferente ao solicitar o visto para entrar no país.

A viagem ao Brasil foi inicialmente apresentada como participação em um fórum internacional sobre terras raras. No entanto, autoridades brasileiras consideraram que a prioridade da agenda seria a visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que levantou questionamentos dentro do Itamaraty.

Pedido de visita na prisão

Na terça-feira (10), a defesa de Bolsonaro pediu autorização ao ministro Alexandre de Moraes para que Darren Beattie visitasse o ex-presidente na prisão na segunda (16) ou terça-feira (17), alegando compromissos na agenda do assessor norte-americano.

Moraes autorizou inicialmente a visita, mas determinou que ela ocorresse na quarta-feira (18), dia tradicional de visitas na unidade prisional. No dia seguinte, a defesa voltou a pedir alteração da data.

Após solicitar informações ao Itamaraty sobre a agenda oficial do assessor norte-americano no Brasil, Moraes reconsiderou a decisão e retirou a autorização para o encontro. O ministério avaliou que a reunião poderia representar uma ingerência indevida em assuntos internos do Estado brasileiro.

Bolsonaro está preso na Papudinha, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.

Internação de Bolsonaro

Nesta sexta-feira (13), Jair Bolsonaro foi internado no Hospital DF Star com diagnóstico de broncopneumonia. O ex-presidente está sendo tratado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Itamaraty pediu esclarecimentos

Ainda na terça-feira, o Itamaraty convocou o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos sobre a viagem de Darren Beattie.

Ele foi recebido pelo embaixador Roberto Abdalla, secretário de Europa e América do Norte do ministério. Na reunião, foi informado que a principal agenda de Beattie no país seria a participação em um evento sobre terras raras.

Mesmo com a revogação do visto e a negativa de visita a Bolsonaro, a expectativa era que Beattie mantivesse compromissos políticos no país, incluindo um encontro com o senador Flávio Bolsonaro.

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