Uma mudança histórica pode ocorrer nas Forças Armadas brasileiras. Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o Exército Brasileiro se aproxima de ter, pela primeira vez, uma mulher no generalato. A coronel médica Cláudia Lima Gusmão Cacho, de 57 anos, foi indicada para promoção ao posto de general de brigada. Se confirmada, ela será a primeira mulher a alcançar esse nível na hierarquia da instituição.
A indicação foi aprovada em votação secreta pelo Alto Comando do Exército. O processo segue agora os trâmites formais: o comandante da força apresenta a proposta ao ministro da Defesa, que encaminha o nome ao presidente da República para a decisão final. A publicação no Diário Oficial da União está prevista para 31 de março.
Trajetória na saúde militar
Nascida em Recife (PE), Cláudia Cacho é médica pediatra formada pela Universidade de Pernambuco (UPE). Ela ingressou no Exército em 1996 como oficial temporária no então 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Goiânia (GO).
Dois anos depois, concluiu o Curso de Formação de Oficiais Médicos da Escola de Saúde do Exército, iniciando uma carreira que já soma quase três décadas na área de saúde militar.
Atualmente, a coronel atua como subdiretora do Hospital Militar de Área de Brasília. A expectativa é que, após a promoção, ela assuma a direção da unidade.
Presença feminina nas Forças Armadas
A participação feminina nas Forças Armadas brasileiras cresceu gradualmente nas últimas décadas. Em 1992, o Exército registrou o ingresso de 52 mulheres no Quadro Complementar de Oficiais por meio de concurso público.
A partir de 1997, profissionais como engenheiras, médicas, dentistas e farmacêuticas passaram a se formar pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e pela Escola de Saúde do Exército.
Outro avanço ocorreu em 2016, quando o Exército passou a permitir o ingresso de mulheres na linha de ensino militar bélico, com vagas em cursos de formação de sargentos e na Escola Preparatória de Cadetes do Exército.
Neste ano, as primeiras soldados mulheres também foram incorporadas ao serviço militar. Ao todo, 1.467 jovens foram integradas em unidades de 13 estados e do Distrito Federal. Segundo o Exército, cerca de 33 mil jovens se alistaram para o Serviço Militar Inicial Feminino no primeiro semestre de 2025.
Em 2024, outro marco foi registrado: pela primeira vez, seis mulheres foram promovidas à graduação de subtenente, o posto mais alto entre as praças.
“General” ou “generala”?
Com o avanço da presença feminina nas Forças Armadas, também surge a discussão sobre o uso das patentes no feminino. De acordo com a professora de língua portuguesa Vânia Beneveli, a gramática permite a flexão de gênero para cargos e profissões.
Assim, termos como “generala”, “coronela” e “sargenta” são considerados possíveis dentro das regras da língua portuguesa. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), da Academia Brasileira de Letras, reconhece essas formas.
Apesar disso, o uso institucional nas Forças Armadas costuma manter a patente no masculino, indicando o gênero apenas pelo artigo. Dessa forma, documentos e comunicações oficiais utilizam expressões como “a coronel”, “a general” ou “a sargento”.
Segundo a especialista, a tendência é que a língua acompanhe as mudanças sociais, à medida que mais mulheres ocupem cargos historicamente dominados por homens.




