A greve geral iniciada nesta quinta-feira (19) na Argentina é uma reação direta ao avanço da reforma trabalhista do governo de Javier Milei no Congresso. O projeto, que começa a ser analisado pela Câmara dos Deputados da Argentina após aprovação no Senado, é considerado pelas centrais sindicais uma das maiores mudanças nas regras de trabalho das últimas décadas. A paralisação foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho como forma de pressionar deputados a barrar ou alterar pontos centrais da proposta.
Para os sindicatos, o texto não representa apenas ajustes técnicos, mas uma mudança estrutural nas relações de trabalho. A avaliação é de que a reforma flexibiliza direitos consolidados, reduz garantias e enfraquece o poder de negociação coletiva.
O estopim da paralisação
O principal motivo da greve é a flexibilização das normas trabalhistas. A proposta amplia o período de experiência, facilita demissões e reduz o cálculo das indenizações. Também permite jornadas de até 12 horas diárias, com compensação conforme a demanda, o que, na visão das entidades, pode aumentar a precarização.
Outro ponto sensível é a limitação do direito de greve em setores considerados essenciais. O projeto exige funcionamento mínimo entre 50% e 75% dos serviços, medida que, segundo os sindicatos, restringe o poder de mobilização das categorias.
Mudanças na negociação coletiva
A reforma também altera a lógica das negociações trabalhistas ao permitir acordos diretos entre empresas e sindicatos locais, diminuindo o peso das convenções nacionais. Para as centrais, isso fragmenta direitos e reduz a força de barganha dos trabalhadores.
Há ainda alterações nas regras de férias, licenças médicas, indenizações e no reconhecimento formal de trabalhadores de plataformas digitais como independentes.
Disputa sobre o modelo econômico
O governo defende que as mudanças são necessárias para estimular o emprego formal e enfrentar a informalidade, que atinge cerca de 40% da força de trabalho argentina. A proposta integra um pacote de reformas voltado à reorganização econômica do país.
Já os sindicatos afirmam que a reforma transfere para os trabalhadores o custo do ajuste econômico. Ao convocar a greve no momento em que o texto avança na Câmara, as centrais tentam influenciar o debate antes da votação final.




