O deputado cassado Alexandre Ramagem (PL-RJ), atualmente foragido nos Estados Unidos, foi interrogado por videoconferência pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira (5), no âmbito de uma ação penal que apura crimes cometidos após sua diplomação relacionados aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. A audiência durou cerca de 50 minutos e foi conduzida por uma juíza auxiliar do gabinete do ministro relator Alexandre de Moraes, com a presença do advogado de Ramagem.
Segundo relatos baseados no termo de audiência e na cobertura da imprensa, Ramagem negou ter cometido os crimes imputados e criticou o ministro Alexandre de Moraes, afirmando ser vítima de uma farsa. Ele rejeitou as acusações de dano qualificado e de deterioração de patrimônio tombado, que teriam ocorrido durante os ataques de 8 de janeiro de 2023.
A oitiva foi possível após a retomada do processo penal pelo ministro Moraes no fim de 2025, depois que a Mesa da Câmara dos Deputados cassou o mandato de Ramagem e ele perdeu a imunidade parlamentar que até então suspendia o avanço da ação. A realização do interrogatório à distância ocorre enquanto o governo brasileiro aguarda a resposta ao pedido de extradição encaminhado oficialmente às autoridades dos Estados Unidos no final de janeiro.
Ramagem já foi condenado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado por sua participação na tentativa de golpe de Estado e outros três crimes, sentenças que transitou em julgado antes de sua fuga do Brasil em setembro de 2025. Ele deixou o país de forma clandestina pela fronteira com a Guiana, embarcando em voo com destino aos Estados Unidos com passaporte diplomático, apesar de haver determinação judicial para o cancelamento do documento.
A nova fase da ação penal no STF mira especificamente os delitos praticados após a diplomação de Ramagem como deputado federal, agora sem a proteção da imunidade. A tramitação do pedido de extradição nos Estados Unidos pode prolongar o desenrolar do caso, que tem grande repercussão no cenário político e judicial brasileiro




