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Wellington Luiz diz que vai decidir sobre impeachment de Ibaneis após recesso da CLDF

Presidente da Câmara Legislativa afirma que pedidos serão analisados juridicamente antes de manifestação política; oposição acusa governador de gestão temerária no caso BRB-Master

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 5 Min Leitura
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Deputado Wellington Luiz, presidente da CLDF, e o governador Ibaneis Rocha durante agenda oficial no Distrito FederalImagem: Reprodução
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O presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), deputado Wellington Luiz (MDB), afirmou que só se manifestará sobre os dois pedidos de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha após o fim do recesso, em 2 de fevereiro, quando a Procuradoria da Casa concluir análise de requisitos legais das denúncias. A declaração foi dada ao g1 na manhã desta segunda-feira (26).

Segundo nota da assessoria, Wellington Luiz ressaltou que, após a avaliação jurídica, a Mesa Diretora da CLDF deverá debater o tema, antes de qualquer aval político para tramitação formal dos pedidos de afastamento. O presidente da CLDF e o governador são filiados ao mesmo partido.

Os pedidos de impeachment foram protocolados na sexta (23) por partidos da oposição, que acusam Ibaneis de crimes de responsabilidade e gestão temerária durante as negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. A oposição reagiu após o governador confirmar encontros com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, embora tenha negado que tenha tratado sobre as operações financeiras entre as instituições.

Contexto dos pedidos de impeachment

Ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir grande parte do Banco Master com apoio político do governador e do governo do DF, que é acionista controlador da instituição pública. A operação, no entanto, foi barrada pelo Banco Central, que determinou a liquidação extrajudicial do Master diante de suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões e injeção de R$ 16,7 bilhões pelo BRB entre 2024 e 2025. A Procuradoria vê indícios de gestão fraudulenta nessas transferências. #JornalCapitalFederal

A oposição sustenta que a tentativa de compra não visava fortalecer o Master, mas ocultar passivos relevantes, potencialmente transformando riscos privados em passivos públicos. O documento aponta que Ibaneis teria politizado uma decisão técnica do Banco Central e falhado em suspender as transferências de recursos apesar de alertas regulatórios, o que seria omissão dolosa e conivência com irregularidades, violando princípios da administração pública.

Acusações e implicações legais

Os pedidos de impeachment acusam o governador de improbidade administrativa, possível gestão temerária de instituição financeira sob a Lei 7.492/1986, crimes contra as finanças públicas e condutas enquadradas como crimes de responsabilidade. Para os signatários, teria havido uso de dinheiro público sem exigências legais, operações financeiras sem observância de normas e enriquecimento ilícito de terceiros.

Um dos pedidos é assinado por quatro membros do PSB-DF — Rodrigo Dias, Rodrigo Rollemberg, Ricardo Capelli e Leonardo Pinheiro —, pelo presidente do Cidadania-DF, Cristovam Buarque, e pelos advogados Rodrigo Pedreira e Lynecker Juliano. O outro é subscrito pela presidente regional do PSOL-DF, Giulia Tadini, e pelos deputados distritais Fábio Félix e Max Maciel. #JornalCapitalFederal

Trâmite do processo de impeachment

Caso Wellington Luiz aceite os pedidos após a análise jurídica, a denúncia deve ser lida em plenário da CLDF. Em até 48 horas, uma Comissão Especial é criada para emitir parecer em até dez dias, seguido de votação em plenário. Se o processo prosseguir, o governador terá 20 dias para apresentar defesa, e a comissão produzirá provas antes de decisão final. A aprovação do impeachment exige 2/3 dos distritais em votação nominal. #JornalCapitalFederal

Pedido de investigação ao MPF

Paralelamente, o gabinete do deputado Fábio Félix apresentou ao Ministério Público Federal (MPF) pedido de investigação sobre a atuação de Ibaneis na tentativa de compra do Banco Master, incluindo solicitação de bloqueio de bens, coleta de provas e depoimentos pela Polícia Federal, acesso a documentos internos do BRB e responsabilização de envolvidos, podendo resultar em denúncia ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) caso crimes sejam confirmados.

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