O Mounjaro virou assunto de conversa em academias, salões e grupos de WhatsApp. E não é à toa. Além de reduzir o apetite, ele melhora a regulação da glicemia e a saúde metabólica, com efeitos comprovados cientificamente. O problema começa quando, por causa disso, passa a ser usado sem critério e sem acompanhamento adequado.
O medicamento age em hormônios que regulam fome, saciedade e glicose, interferindo em sistemas importantes do corpo. Por isso, não deve ser usado de forma isolada nem como solução milagrosa.
A prescrição deve vir de um endocrinologista com RQE, o registro que comprova a especialização reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, informação disponível para consulta no site do CFM. É esse profissional que avalia se o uso é indicado, ajusta doses, acompanha exames, monitora a glicemia e define quando reduzir ou suspender o medicamento.
Alertas importantes
Mulheres que estão entrando na menopausa precisam de atenção redobrada. Nessa fase, em que os hormônios já estão em transição, o uso sem orientação pode agravar a perda de massa muscular, o cansaço e comprometer ossos, humor e energia.
Outro alerta importante: desconfie de médico que prescreve e vende o medicamento no próprio consultório. Essa prática não é ética e fere normas profissionais. Também é arriscado comprar medicamentos no Paraguai ou por meios informais. Não há garantia sobre a procedência, o conteúdo real da medicação ou as condições de armazenamento. O risco para a saúde é real.
Equipe multidisciplinar
Além do médico, o nutricionista é essencial. Com a redução da fome, muitas pessoas comem pouco demais, o que pode levar à perda de massa muscular, deficiência de micronutrientes e queda de energia. Após os 40 anos, esse risco aumenta por causa da sarcopenia, a perda natural de músculo associada ao envelhecimento.
O educador físico completa esse cuidado. Um treino bem orientado ajuda a preservar massa muscular, reduzir flacidez e manter força, mobilidade e funcionalidade, evitando que o emagrecimento venha acompanhado de fragilidade corporal.
O psicólogo entra para cuidar do que o remédio não alcança: emoções, gatilhos, ansiedade e padrões de comportamento. Vale reforçar: nutricionista e psicólogo juntos conseguem trabalhar os comportamentos que levaram ao ganho de peso. Porque não adianta emagrecer se os hábitos continuam os mesmos. Isso só aumenta a chance do efeito ioiô.
Mounjaro pode ser uma ferramenta poderosa. Mas saúde de verdade se constrói com equipe, orientação e responsabilidade.



