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Técnicos são presos suspeitos de matar pacientes em hospital de Taguatinga

Investigações apontam uso indevido de medicamentos e até desinfetante em três vítimas na UTI do Hospital Anchieta

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 5 Min Leitura
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Três ex-técnicos de enfermagem foram presos suspeitos de envolvimento na morte de três pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, em TaguatingaImagem: Reprodução
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Três ex-técnicos de enfermagem foram presos no Distrito Federal suspeitos de envolvimento na morte de três pacientes internados no Hospital Anchieta, em Taguatinga, entre novembro e dezembro do ano passado. As prisões ocorreram no último dia 11, durante operação da Polícia Civil do DF, que apura a aplicação intencional e irregular de medicamentos em pacientes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

De acordo com as investigações, um dos suspeitos, de 24 anos, teria se aproveitado do sistema do hospital aberto em nome de um médico para prescrever um medicamento inadequado, buscá-lo na farmácia e aplicá-lo em três pacientes sem autorização ou conhecimento da equipe médica.

Aplicações ilegais e tentativas de disfarce

Segundo a Polícia Civil, além do medicamento prescrito de forma irregular, o técnico também teria aplicado desinfetante por meio de seringa ao menos dez vezes em uma paciente de 75 anos, no mesmo dia em que ela sofreu diversas paradas cardíacas. As aplicações ocorreram em datas distintas, duas em 17 de novembro e uma em 1º de dezembro.

Para tentar ocultar a autoria dos crimes, o investigado realizava massagens cardíacas nas vítimas logo após a piora clínica, simulando tentativas de reanimação. Imagens das câmeras de segurança da UTI reforçaram as suspeitas, ao mostrarem que as aplicações aconteciam justamente nos momentos em que os pacientes apresentavam agravamento súbito do quadro de saúde.

Vítimas tinham quadros distintos

As vítimas são uma professora aposentada de 75 anos, moradora de Taguatinga; um servidor público de 63 anos, do Riacho Fundo I; e um servidor público de 33 anos, de Brazlândia. Segundo a diretora do Instituto Médico Legal (IML), Márcia Reis, os pacientes apresentavam gravidades diferentes, mas a piora repentina em todos os casos chamou a atenção da equipe médica e dos investigadores.

A família do servidor de 63 anos informou que acreditava inicialmente que a morte havia ocorrido por causas naturais. Apenas no dia 16 de janeiro deste ano foi comunicada sobre a suspeita de crime, o que gerou indignação e levou os familiares a adotarem medidas legais.

Operação e novas apurações

Além das prisões, a Polícia Civil cumpriu três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. Na segunda fase da operação, deflagrada na última quinta-feira (15), dispositivos eletrônicos foram apreendidos em Ceilândia e Samambaia.

As investigações seguem sob sigilo, e a polícia apura se há outras vítimas no Hospital Anchieta ou em outras unidades de saúde onde o técnico de 24 anos tenha atuado.

O que diz o Hospital Anchieta

Em nota, o Hospital Anchieta afirmou que identificou circunstâncias atípicas envolvendo três óbitos na UTI e, por iniciativa própria, instaurou um comitê interno de investigação. Segundo a instituição, em menos de 20 dias foram reunidas evidências que levaram ao encaminhamento do caso às autoridades policiais e ao pedido formal de abertura de inquérito.

O hospital informou ainda que os ex-técnicos envolvidos foram demitidos antes das prisões, que ocorreram nos dias 12 e 15 de janeiro, e que as famílias das vítimas foram comunicadas de forma responsável e acolhedora. A instituição destacou que também se considera vítima da ação dos ex-funcionários e reafirmou o compromisso com a segurança dos pacientes, a transparência e a colaboração irrestrita com as autoridades.

Posição do CRM-DF

O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal informou que tomou conhecimento do caso e instaurará sindicância para apurar eventual responsabilidade médica. O órgão ressaltou que os procedimentos seguem sob sigilo, conforme previsto no Código de Ética Médica, garantindo o contraditório e a ampla defesa.

Manifestação da família

Em nota, a família do servidor de 63 anos declarou profundo pesar e indignação, afirmando que a UTI deveria ser um ambiente de proteção à vida. Os familiares informaram que ainda não tiveram acesso aos autos do inquérito, mas confiam na atuação da Polícia Civil, do Ministério Público e do Judiciário, e buscarão a responsabilização criminal dos envolvidos e eventual responsabilização civil do hospital.

Os nomes dos investigados não foram divulgados, uma vez que o caso tramita em segredo de justiça.

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