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Dólar fecha 2025 em forte queda e registra maior desvalorização em quase uma década

Moeda norte-americana recua mais de 10% frente ao real, pressionada por políticas dos EUA, juros internacionais e cenário interno brasileiro

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 5 Min Leitura
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A queda do dólar frente ao real ao longo de 2025 é influenciada por fatores internacionais e pelo cenário econômico brasileiroImagem: Reprodução
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O ano de 2025 terminou com uma expressiva desvalorização do dólar no cenário global. No Brasil, a moeda norte-americana acumulou queda de 10,29% frente ao real até o pregão desta segunda-feira (29), o penúltimo do ano. Trata-se do maior recuo anual desde 2016, quando o dólar caiu 17,8%, refletindo um movimento amplo de enfraquecimento da divisa dos Estados Unidos.

Além do real, moedas de outros países emergentes e também de economias avançadas, como euro, franco suíço, iene japonês e libra esterlina, também se valorizaram ao longo do ano, indicando um cenário global menos favorável ao dólar.

Políticas de Trump e incertezas nos EUA

Segundo especialistas, a principal explicação para a desvalorização do dólar em 2025 está nas políticas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Após a eleição, o mercado esperava uma agenda econômica mais dura e imediata, com aumento de tarifas e cortes de impostos logo no início do mandato, o que não se confirmou.

Com uma postura inicial mais cautelosa, o dólar, que começou o ano cotado a R$ 6,16, perdeu força ao longo dos meses e já acumulava queda de 7,4% ao fim do primeiro trimestre. Em abril, o anúncio de tarifas de importação chegou a provocar uma valorização pontual da moeda, mas o movimento não se sustentou.

Analistas apontam que o choque tarifário acabou ampliando as incertezas sobre o rumo da economia americana, prejudicando a balança comercial e levando investidores a reduzirem posições em dólar. Esse ambiente também estimulou o aumento de operações de hedge cambial, o que reforçou a pressão de venda da moeda no mercado internacional.

Juros americanos no centro das atenções

Outro fator decisivo foi a política monetária dos Estados Unidos. No início de 2025, havia expectativa de cortes mais rápidos e intensos na taxa básica de juros pelo Federal Reserve. No entanto, a primeira redução, de 0,25 ponto percentual, ocorreu apenas em setembro.

Ao longo do ano, o Fed promoveu três cortes, levando os juros da faixa de 4,25% a 4,50% ao ano para 3,50% a 3,75%, o menor nível desde 2022. Com juros mais baixos, os títulos do governo americano passaram a render menos, incentivando investidores a buscar alternativas mais rentáveis em mercados emergentes, como o Brasil.

Força do real e fatores internos

No cenário doméstico, a valorização do real também foi impulsionada por fatores internos. A taxa básica de juros brasileira segue no maior patamar em duas décadas, o que atrai capital estrangeiro e sustenta o fluxo de investimentos no país.

Além disso, o compromisso do Banco Central, sob a presidência de Gabriel Galípolo, em conduzir a inflação para o centro da meta de 3% ajudou a reduzir receios do mercado. Havia desconfiança inicial de que o novo comando da autoridade monetária pudesse ceder a pressões políticas por cortes antecipados nos juros, o que não se confirmou.

A percepção sobre as contas públicas também apresentou leve melhora ao longo do ano. Dados mais recentes indicaram revisão positiva das estimativas de arrecadação e redução das projeções para despesas e inflação, contribuindo para um ambiente de risco mais estável e favorável ao real.

O que esperar para 2026

Para 2026, analistas avaliam que o câmbio seguirá sensível tanto ao cenário internacional quanto às questões domésticas. Nos Estados Unidos, ainda há incertezas sobre o ritmo da economia, o comportamento da inflação e a continuidade do ciclo de cortes de juros, além da proximidade do fim do mandato do atual presidente do Fed, previsto para maio.

No Brasil, o início de um possível ciclo de redução da taxa básica de juros e o cenário eleitoral devem ganhar peso nas decisões dos investidores. A atenção do mercado tende a se concentrar na condução da política fiscal e no compromisso do próximo governo com a estabilização da dívida pública.

A avaliação geral é que, até o primeiro trimestre, o debate sobre os juros nos Estados Unidos seguirá influenciando o dólar. A partir do segundo semestre, no entanto, o foco deve se deslocar para o cenário político e fiscal brasileiro, que pode redefinir o rumo do câmbio nos próximos anos.

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