O governador Ibaneis Rocha (MDB) afirmou, nesta segunda-feira (15), que pretende enviar à Câmara Legislativa do Distrito Federal, em janeiro do próximo ano, um projeto de lei para autorizar a venda do Centro Administrativo do DF, o Centrad, localizado em Taguatinga. A proposta deve ser encaminhada após o fim do recesso parlamentar. Segundo o chefe do Executivo, uma avaliação inicial feita pela Terracap estima o valor do complexo em cerca de R$ 600 milhões.
O Centrad foi concebido para concentrar órgãos do Governo do Distrito Federal, reduzir gastos com aluguel e estimular um contrafluxo no trânsito entre o Plano Piloto e as regiões administrativas. Apesar disso, o espaço permanece fechado há 12 anos. Com 182 mil metros quadrados de área construída e 16 prédios, o complexo nunca recebeu nenhum órgão público.
A proposta de venda surge após anos de impasses jurídicos, administrativos e estruturais que impediram a ocupação do local, mesmo sendo uma promessa de governo de Ibaneis Rocha nos dois mandatos.
Projeto bilionário e parceria desfeita
O Centrad foi construído por meio de uma Parceria Público-Privada firmada entre o GDF e um consórcio formado pela Via Engenharia e a Odebrecht. O contrato previa investimento de R$ 6 bilhões ao longo de 22 anos. Além da construção, o consórcio ficaria responsável por serviços de manutenção, segurança e limpeza, com pagamento mensal de R$ 17 milhões após a inauguração.
Como o complexo nunca entrou em funcionamento, esses valores não chegaram a ser pagos. As empresas, no entanto, alegam ter investido cerca de R$ 1,5 bilhão na obra e tentam reaver os recursos. Em 2020, uma decisão da 4ª Vara de Fazenda Pública do DF proibiu qualquer repasse do governo ao consórcio. Dois anos depois, em 2022, o contrato da PPP foi oficialmente anulado.
Mesmo com o fim da parceria, o GDF segue arcando com custos indiretos. Desde a anulação do contrato, o governo é responsável pela segurança do local, que sofre com invasões, vandalismo e depredação.
Entraves legais e obras nunca concluídas
Inaugurado simbolicamente em 2014, no fim do mandato do então governador Agnelo Queiroz, o Centrad nunca esteve apto para uso. O complexo foi entregue sem mobiliário, sem internet, com obras inacabadas e sem a documentação necessária para funcionamento.
Em 2015, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios se posicionou contra a ocupação do espaço e não concedeu a Carta de Habite-se. Segundo o órgão, faltavam documentos essenciais, como laudos de conformidade e o Relatório de Impacto de Trânsito, o que levou ao embargo da ocupação.
Desde então, sucessivos governos apontaram a necessidade de obras viárias e de urbanismo no entorno como principal obstáculo para o uso do complexo. Ibaneis chegou a anunciar que essas intervenções seriam realizadas, mas nenhuma delas saiu do papel.
Promessas repetidas e futuro indefinido
Ao longo dos anos, o destino do Centrad foi alvo de diversos anúncios. Houve promessas de ocupação, concessão e início de obras, todas sem desfecho prático. Em 2024 e 2025, integrantes do governo chegaram a afirmar que intervenções seriam iniciadas e que editais seriam lançados, mas os prazos não se confirmaram.
Com pouco mais de um ano para o fim do atual mandato, a venda do complexo passa a ser a alternativa apresentada pelo governo para encerrar uma história marcada por atrasos, disputas judiciais e desgaste político. Até que o projeto seja enviado e analisado pela Câmara Legislativa, o futuro do Centrad segue indefinido.




