Ad image

Lula reage a casos recentes e defende mobilização dos homens contra a violência

Em discurso público, presidente cobra responsabilidade masculina, cita casos recentes de violência extrema e defende um movimento nacional de enfrentamento à cultura que mata mulheres no Brasil

Redação
Por Redação 3 Min Leitura
3 Min Leitura
Lula durante discurso em Ipojuca (PE), onde cobrou mobilização dos homens contra a violência de gênero após casos recentes de feminicídio no paísImagem: Ricardo Stuckert/PR
ouça o post

A comoção provocada pelos feminicídios que marcaram os últimos dias levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a fazer um apelo direto e contundente aos homens. Durante evento em Ipojuca (PE), que marcou o início das obras de expansão da Refinaria Abreu e Lima, Lula desviou da pauta econômica para abordar um tema que o comoveu dentro de casa — e o estendeu ao país.

O presidente relatou que a primeira-dama, Janja Lula da Silva, chorou repetidas vezes ao acompanhar os relatos de brutalidade contra mulheres exibidos pela imprensa nos últimos dias. Esse incômodo familiar se transformou em cobrança. Segundo ele, Janja pediu uma reação “mais dura” para enfrentar a violência de gênero, que segue produzindo histórias de horror e indignação.

Lula citou crimes recentes que chocaram o país. Entre eles, o ataque a tiros cometido por um homem contra a ex-companheira em uma pastelaria da zona norte de São Paulo; o caso de Tainara Souza Santos, arrastada por um quilômetro após ser atropelada pelo ex-parceiro — e que teve as pernas amputadas; e o incêndio criminoso no Recife que tirou a vida de uma mulher grávida e dos quatro filhos do casal. Os episódios ilustram o que o presidente descreveu como comportamento “irracional” e “cruel”.

Cada um de nós, homens, precisa ser professor do outro, disse Lula ao defender uma mudança cultural urgente.

Ele pediu que pais eduquem filhos, amigos orientem amigos e que a responsabilização deixe de ser apenas institucional para se tornar também moral. Para Lula, a violência contra a mulher nasce de um sentimento de posse e inferiorização que precisa ser desmontado dentro das relações.

O presidente reforçou que, diante de um relacionamento que chegou ao fim, o caminho deve ser o respeito, não a agressão.

Se ela não gosta de você, ela não é obrigada a ficar com você. Não aprisione essa pessoa, afirmou, criticando a naturalização da violência masculina.

Índices que revelam o tamanho do problema

O Brasil segue convivendo com índices alarmantes. Somente em 2024, o estado de São Paulo registrou 207 mulheres assassinadas por feminicídio. Em outubro, foram 22 vítimas e quase seis mil casos de lesão corporal dolosa contra mulheres. Um número que, segundo especialistas, revela como o feminicídio costuma ser o último episódio de uma sequência de agressões.

Lula também fez referência à própria trajetória, lembrando que foi criado apenas pela mãe e aprendeu cedo a respeitar mulheres. Ao final, convocou um movimento nacional liderado por homens para enfrentar a violência de gênero com responsabilidade, consciência e solidariedade.

Homem não nasceu para bater em mulher, estuprar criança ou destruir vidas, declarou. Levante a mão quem está comigo nessa luta.

Compartilhe esse Artigo
Deixe sua opnião
Verified by MonsterInsights