O Rio de Janeiro viveu um dos dias mais violentos de sua história recente. Uma megaoperação deflagrada nas primeiras horas da manhã, nos complexos do Alemão e da Penha, terminou com 64 mortos e 81 presos, segundo balanço parcial das forças de segurança. A ação, voltada ao combate ao Comando Vermelho (CV), superou as operações do Jacarezinho (2021) e da Vila Cruzeiro (2022), tornando-se a mais letal já registrada no estado.
Cerca de 2.500 agentes das polícias Civil, Militar e Federal participaram da Operação Contenção, que tinha como objetivo cumprir 100 mandados de prisão. Desde as primeiras horas do dia, moradores relataram confrontos intensos, barricadas incendiadas e explosões de granadas. Drones foram usados por criminosos para lançar artefatos explosivos contra as equipes policiais.
Com a escalada da violência, o tráfico orquestrou represálias em várias regiões do Grande Rio, bloqueando vias e incendiando veículos. O trânsito foi interrompido em diferentes pontos da cidade, e o clima de insegurança se espalhou rapidamente.
Mortes entre policiais e vítimas civis
Entre os mortos, estão quatro agentes de segurança, atingidos durante os confrontos. Um delegado permanece em estado gravíssimo. Três civis também foram baleados — um homem em situação de rua, uma mulher que se exercitava em uma academia e um trabalhador de um ferro-velho.
As forças policiais informaram que 31 fuzis, duas pistolas e nove motocicletas foram apreendidos. Cinco suspeitos baleados permanecem internados sob escolta no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha.
Comparativo histórico
O número de mortes ultrapassa a soma das duas operações mais letais anteriores: o Jacarezinho, em 2021, que deixou 28 mortos, e a Vila Cruzeiro, em 2022, com 24 óbitos. Ambas ocorreram sob a gestão do governador Cláudio Castro (PL).
Especialistas em segurança pública apontam que a escalada de letalidade reflete a dificuldade do Estado em equilibrar o combate ao crime com a preservação de vidas — tanto de agentes quanto de moradores das comunidades.
Cidade em alerta e população em pânico
Durante a tarde, o som dos tiros e das explosões dominou o noticiário e as redes sociais. Escolas suspenderam as aulas, unidades de saúde fecharam temporariamente as portas e moradores buscaram abrigo em locais seguros.
O governo estadual classificou a operação como “essencial para conter o avanço do crime organizado”. Já organizações de direitos humanos alertam para a gravidade da situação e pedem investigação independente sobre as circunstâncias das mortes.
A terça-feira termina com o Rio sob tensão, com ruas bloqueadas, transportes interrompidos e famílias em busca de informações sobre desaparecidos. Em meio à fumaça das barricadas, o que permanece é o retrato de uma cidade que, mais uma vez, se vê entre o fogo cruzado da polícia e do tráfico.




