Fraga recordou os anos 1990, quando assumiu o comando da PM em Ceilândia a convite do ex-governador Joaquim Roriz. Em meio à violência que marcava a região, destacou a apreensão recorde de quase 3 mil armas em um ano e a confiança popular que resultou em um abaixo-assinado de 17 mil assinaturas pedindo sua permanência no comando. A exoneração durante o governo Cristovam Buarque acabou sendo o estopim para sua entrada na política — incentivada por lideranças locais e por Luiz Estevão.
Eleito em 1998, Fraga manteve laços com a comunidade e construiu uma trajetória de cinco mandatos na Câmara Federal. A amizade com Bolsonaro, iniciada ainda na juventude militar, foi lembrada em tom pessoal. “São 43 anos de convivência. Nunca precisei provar nada, nem me aproveitar dessa relação”, afirmou.
O parlamentar também revisitou sua passagem como secretário de Transportes no governo Arruda, quando idealizou projetos estruturantes como a duplicação da EPTG e do Trevo de Triagem Norte. Na avaliação de Fraga, Arruda foi, depois de Roriz, o governador que mais deixou legado para o DF.
Terceira via em construção
Questionado sobre a disputa ao Palácio do Buriti, Fraga foi direto: se Arruda optar por candidatura a deputado federal, ele se coloca como opção ao governo. “Meu recall é forte. Se a população entender que segurança pública é prioridade, estarei pronto para disputar”, disse.
Contra câmeras na PM

Ele também não poupou críticas à proposta de câmeras corporais para policiais militares. “Sou totalmente contra. Colocar câmera é dizer que o Estado não confia no policial. Excesso se pune, mas não se generaliza desconfiança.”
Fraga avalia que o cenário de 2026 pode se dividir em três vias: a consolidação da candidatura de Celina Leão com apoio de Ibaneis, a esquerda com Leandro Grass e Ricardo Capelli, e uma terceira via conservadora onde se vê como protagonista ao lado de nomes como Arruda e Bia Kicis.
Com discurso pragmático, o deputado sinaliza que não pretende encerrar a carreira em baixa. “Nunca perdi uma eleição para federal. No fim da vida pública, não quero perder. Se for preciso, vou ao governo.”




