O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou nesta quarta-feira (3) a segunda sessão do julgamento sobre a suposta trama golpista que teria envolvido o ex-presidente Jair Bolsonaro e militares de alta patente. Depois da abertura na terça-feira (2), marcada pela acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelas primeiras manifestações das defesas, o segundo dia foi dominado por críticas à delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid e ao papel do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
No 1º dia, a PGR detalhou a acusação de tentativa de golpe de Estado e associação criminosa, apontando reuniões, rascunhos de minutas e movimentações de militares como indícios da trama. A defesa de Bolsonaro, por sua vez, sustentou que o ex-presidente não participou de qualquer articulação golpista, nem teve ligação com os atos de 8 de janeiro de 2023.
Discurso das defesas no 2º dia
Nesta quarta-feira, os advogados intensificaram o ataque à credibilidade de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e principal delator do caso. Celso Vilardi, representante do ex-presidente, afirmou que Cid mentiu diversas vezes, rompeu seu acordo de colaboração e não trouxe provas consistentes contra Bolsonaro. “Esse homem não é confiável”, declarou.
Outro ponto central foi a denúncia de cerceamento de defesa. Os advogados argumentaram que o volume de provas reunidas pela Polícia Federal mais de 70 terabytes de dados é impossível de ser analisado no prazo concedido. Também criticaram a falta de organização nos documentos, o que, segundo eles, prejudica o direito à ampla defesa.
Além disso, a postura de Alexandre de Moraes foi alvo de críticas, sob a alegação de que o relator atuou de forma inquisitorial ao longo do processo.
Comparativo entre os dois dias
Enquanto o 1º dia expôs a versão da acusação e deu início à disputa narrativa, o 2º dia consolidou a estratégia das defesas: desqualificar a delação de Mauro Cid, negar provas contra Bolsonaro e questionar a condução do julgamento. O embate, portanto, evoluiu de uma exposição técnica da PGR para uma reação política e jurídica dos acusados.
Próximos passos
Com o fim das sustentações orais, o julgamento será retomado na próxima terça-feira (9). Nessa etapa, os ministros da Primeira Turma do STF começarão a votar, a partir do relator Alexandre de Moraes. O resultado pode definir não apenas o futuro político de Bolsonaro, mas também a responsabilidade de generais e militares investigados.




