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Primeiro dia do julgamento de Bolsonaro no STF expõe acusações de golpe e defesa da democracia

Sessão de abertura teve ausência do ex-presidente, acusações da PGR e início das sustentações das defesas

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 4 Min Leitura
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STF abre o julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Acompanhe cada capítulo dessa cobertura no Jornal Capital FederalImagem: Fabio Rodrigues/Agência Brasil
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O Jornal Capital Federal inicia hoje a cobertura especial do julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, com atualizações ao final de cada dia de sessão. A primeira etapa ocorreu nesta terça-feira, 2 de setembro de 2025, das 9h às 12h e das 14h às 17h55, em Brasília. As próximas sessões já estão previstas: 3 de setembro (quarta-feira), das 9h às 12h; 9 de setembro (terça-feira), das 9h às 12h e das 14h às 19h; 10 de setembro (quarta-feira), das 9h às 12h; e 12 de setembro (sexta-feira), das 9h às 12h e das 14h às 19h. Durante todo o processo, o jornal disponibilizará os links oficiais de cada sessão para que o leitor acompanhe os desdobramentos diretamente. 

O Supremo Tribunal Federal abriu nesta terça-feira (2) o julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete réus acusados de tentativa de golpe de Estado. A sessão, presidida pelo ministro Cristiano Zanin, começou às 9h em Brasília e entrou para a história como a primeira vez em que um ex-presidente da República responde por conspirar contra a ordem democrática. Bolsonaro, em prisão domiciliar, não compareceu, alegando problemas de saúde.

Quem são os réus?

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto – ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022;
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

O relator Alexandre de Moraes fez a leitura do relatório que resume o processo, enquanto o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustentou a acusação. Ele afirmou que os oito réus atuaram em uma organização criminosa armada com o objetivo de derrubar o resultado eleitoral. Foram citadas provas como rascunhos, manuscritos, mensagens eletrônicas e gravações, incluindo o documento apelidado de “punhal verde e amarelo”, que sugeria medidas extremas contra adversários políticos.

O clima no plenário alternou entre tensão e descontração. Moraes reforçou que o STF não cederá a pressões externas, após críticas e sanções vindas do governo dos Estados Unidos. Houve também momentos de leveza, com ministros trocando sorrisos e até elogios durante a sessão.

À tarde, começaram as sustentações orais das defesas. O advogado de Mauro Cid defendeu a manutenção da delação premiada. Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, alegou que apenas compilava ideias do presidente e negou espionagem. A defesa do almirante Almir Garnier disse que ele nunca colocou tropas à disposição para um golpe. Já os advogados de Anderson Torres ironizaram a chamada “minuta do golpe”, classificando-a como uma “minuta do Google”.

A sessão foi encerrada às 17h55, com a previsão de retomada nesta quarta-feira (3), quando os demais réus terão suas defesas apresentadas. A votação dos ministros ainda não tem data definida.

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