O Fórum Brasileiro de Segurança Pública atualizou os dados sobre segurança pública no Brasil e divulgou a 19ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Vamos tentar usar nosso poder de síntese para trazer os principais pontos.
Como nada mudou substancialmente no sistema de combate ao crime e aplicação de penas, observamos apenas pequenas variações, manutenção de tendências e a migração de crimes para o ambiente digital onde as facilidades são maiores.
1) Homicídios: queda relativa e números ainda alarmantes
A taxa é de 20,8% por 100 mil habitantes, ainda uma das mais altas do mundo. A redução se explica em boa parte pelo envelhecimento da população brasileira e pela diminuição da taxa de natalidade do país. Isso porque as principais vítimas são homens, negros, de até 29 anos.
Destaques preocupantes:
⦁ 73,8% desses mortos foram com uso DE ARMA DE FOGO. Reforçando a urgência de políticas efetivas de controle armamentista.
⦁ O número de desaparecimentos é quase o dobro dos homicídios registrados. Muitos casos podem ser crimes não esclarecidos, sugerindo que a taxa real seja ainda maior.
2) Violência contra crianças, adolescentes e mulheres: epidemia em ascensão
Todos os indicadores de crimes contra menores pioraram: abandono, maus-tratos, agressões e abuso sexual infantojuvenil. Casos de cyberbullying e violência escolar dispararam.
Os feminicídios também tiveram crescimento – 8 em cada 10 mortas foram vítimas de seus companheiros ou ex-companheiros, e 64,3% mortas em suas casas. O número de medidas protetivas também cresceu. Assim como os acionamentos por disque denúncias.
A taxa de estupros então é estarrecedora! 41,2 ESTUPROS POR 100 MIL HABITANTES. Destas 76,8% de menores de idade! E 65,7% aconteceram em casa. Por familiares, parceiros/ex-parceiros.
3) Sistema prisional: crise aprofundada
O número de pessoas privadas de liberdade também cresceu. Temos 909.594 presos. 94% são homens. 68,7% negros. Apenas 20,3% conseguem trabalhar durante o cumprimento de pena. 13,5% estão em prisão domiciliar, com tornozeleiras eletrônicas. Cresceu também o número de menores apreendidos. 72.790 adolescentes foram apreendidos pelas polícias.
Fraudes online: o crime se moderniza (enquanto o Estado não)
O crime se adequa aos novos meios de comunicação. E aproveita as brechas do sistema que teima em não se modernizar. Temos hoje 4 GOLPES POR MINUTO NO BRASIL!!! Foram mais de 2 milhões de estelionatos no ano passado – 2024. Uma taxa de 1.019,2 por 100 mil habitantes. Os roubos, pelo contrário, caíram 51% de 2018 até 2024.
A realidade nua e crua
⦁ Explosão de crimes sexuais e violência doméstica, agravados pelo descontrole das redes sociais.
⦁ Epidemia de golpes digitais, impulsionada pela incapacidade do sistema de justiça em investigar e punir.
Uma clara migração, pelas facilidades encontradas pelos criminosos e pela baixa capacidade de investigação e dos sistemas de justiça de processar e punir esses crimes. O fluxo de migração dos crimes se dá pelo fomento e incentivo dado nas redes sociais, nos casos dos crimes violentos e da garantia de impunidade nos estelionatos e correlatos via internet. A necessidade de lei para disciplinar a internet e as redes sociais GRITA!
Diagnóstico conhecido, soluções ignoradas
Há séculos sabemos os problemas, mas repetimos as mesmas falácias: O mesmo método. E parlamentares insistem em aumentos de pena… NEM AS ATUAIS SÃO APLICADAS. Escolhemos quem vamos punir – mais de 40% pequenos traficantes de drogas.
A solução está à vista, mas preferimos a miopia. A alteração da metodologia investigativa é URGENTE. Enquanto o nosso modelo for prioritariamente FAZER PAPEL AO INVÉS DE INVESTIGAR não teremos EFETIVIDADE. Assim como temos que alterar nosso modelo processual. O Código de Processo Penal tem que garantir a ampla defesa e o contraditório. Mas não a IMPUNIDADE. Judiciário e Ministério Público têm que ser modernizados. Faz quase 300 anos e ainda insistimos nos mesmos erros ATÉ QUANDO…
Vale muito a leitura do Anuário:
https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2025/07/anuario-2025.pdf





Excelente a análise dos dados. Quando você fala que é necessário um olhar atento para reduzir a criminalidade nas ruas, e o olhar vai para o legislativo federal, que tem a possibilidade de modernizar as leis, não fazem e o remédio é mais do mesmo, aumento de pena e encarceramento, mas nenhuma proposta de mudança no papel do Estado que crie de forma segura, métodos capazes de mudar essa realidade.