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Mais do que comida, um direito servido

Censo revela aumento no uso dos restaurantes comunitários e reforça o impacto das políticas públicas integradas do GDF

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 3 Min Leitura
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Dados orientam políticas públicas e ampliam o alcance dos serviços para a população vulnerável Imagem: Divulgação/Casa Civil
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Por volta do meio-dia, todos os dias, José da Cruz (nome fictício) busca no Restaurante Comunitário da Estrutural mais que uma refeição: ele busca dignidade. Em situação de rua, sem renda e com o corpo cansado, José encontra no prato quente que recebe ali a força para continuar. “Saio com a barriguinha cheia, satisfeito”, resume.

O depoimento de José ecoa nos dados do terceiro estudo temático do 2º Censo Distrital da População em Situação de Rua, divulgado nesta semana pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF). O levantamento aponta que 45,1% das pessoas em situação de rua passaram a se alimentar nos restaurantes comunitários, contra apenas 13% no censo anterior. A frequência também cresceu: 44,7% afirmaram ter utilizado os serviços cinco vezes ou mais nos últimos seis meses.

Avanços concretos

Para o secretário-chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, os dados demonstram o impacto real das ações do Governo do Distrito Federal. “Garantir o acesso à alimentação é uma prioridade, e os esforços da gestão têm gerado resultados concretos”, destacou. A Casa Civil coordena a Política Distrital para a População em Situação de Rua, articulando ações entre as secretarias de governo.

Hoje, o DF conta com 18 restaurantes comunitários em funcionamento, sendo 15 abertos todos os dias, inclusive aos domingos e feriados. As refeições são completas e balanceadas, servidas por R$ 2 ou gratuitamente para quem está em vulnerabilidade. A iniciativa tem papel central no combate à fome e na promoção da dignidade.

Dados que guiam políticas públicas

Segundo o IPEDF, a pesquisa — realizada entre 4 e 7 de fevereiro de 2025 com 568 pessoas — mostra que o avanço não se restringe à alimentação. O estudo traz subsídios para fortalecer também as políticas de saúde, com destaque para os desafios enfrentados por essa população, como ansiedade, depressão e dores crônicas.

“O IPEDF cumpre papel fundamental ao subsidiar o planejamento e o aprimoramento das ações públicas com base em dados reais”, afirmou o diretor-presidente do instituto, Manoel Clementino. Para ele, a comparação entre os dois censos demonstra como decisões baseadas em evidências podem transformar vidas.

A diretora de Estudos e Políticas Sociais do IPEDF, Marcela Machado, reforça que a ampliação da atenção à população em situação de rua passa por ações integradas. “Este recorte nos ajuda a entender melhor as condições de vida dessas pessoas. É essencial garantir políticas articuladas, eficazes e com foco na dignidade.”

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