Nos últimos anos, temos visto com certa insistência variados casos de violências contra professores e professoras nas escolas brasileiras. Tais violências são protagonizadas por diversos atores sociais, quais sejam pais, estudantes e gestores. Na maior parte das vezes, as violências são cometidas pelos próprios alunos e alunas. Há ainda indícios de que apenas poucos casos chegam a alcançar repercussão nas diferentes mídias, o que significa dizer que, além do que já conhecemos, há muito ainda subnotificado.
De acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Ame Sua Mente aponta que oito a cada 10 educadores declararam ter sofrido algum tipo de violência no ambiente escolar.
O Sindicato de Professores de São Paulo mostra dados alarmantes sobre as violências sofridas pelos professores, trazendo como mais frequentes a agressão verbal (48%), o assédio moral (20%), o bullying (16%), a discriminação (15%), o furto/roubo (8%), a agressão física (5%), e o roubo ou assalto à mão armada (2%). A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em um levantamento realizado sobre o tema, indica o Brasil como o país que apresenta os índices mais altos do mundo no ranking das agressões contra professores – e que tem se mantido estável nos últimos anos. Este levantamento também traz informações assustadoras sobre a violência contra os professores brasileiros: as intimidações, verbais e físicas, são contínuas e, em muitos casos, acontecem semanalmente.
Saúde mental
Os professores e as professoras, vítimas ou observadores dessa violência, tendem a apresentar problemas graves de saúde mental, o que gera o absenteísmo ou mesmo o abandono à profissão. A percepção geral de docentes é de que há uma banalização das diferentes formas de violências, o que gera insegurança diante da normalização da barbárie, a qual é muitas vezes naturalizada (quando não cometida) pelos próprios pais de estudantes nos mais diferentes níveis escolares.
Bullying e violência
A OCDE também alerta que o ambiente das escolas brasileiras é extremamente propício ao bullying, agravando e amplificando as violências, tendo em vista que as violências que antes se circunscreviam às relações entre os estudantes, chegam aos professores e professoras.
No que tange às reflexões em torno da busca por soluções, há que se reconhecer que se trata de um problema sistêmico e complexo, que reflete as tantas violências sociais por que passamos no país como um todo. Entretanto, também é preciso compreender o impacto negativo dessas violências contra professores e professoras na qualidade da educação. Não se pode ensinar e aprender em um ambiente permeado por insegurança e medo. Poderia apresentar aqui um rol de ações para solucionar o problema, mas prefiro escolher o que é, ao meu ver, o mais significativo deles: precisamos, como família dessas crianças e adolescentes, valorizar o professor. Noções como respeito, empatia, reconhecimento de autoridade são fundantes para uma sociedade que se quer verdadeiramente civilizada.




