O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), deixou claro que não dividirá o mesmo espaço com Luiz Inácio Lula da Silva até que o presidente peça desculpas por tê-lo acusado de cumplicidade nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Em entrevista à CNN nesta terça-feira (18), Ibaneis afirmou que Lula o apresentou “de forma leviana” como “cúmplice” do ex-presidente Jair Bolsonaro durante os episódios que culminaram nos atos daquele dia. “Só trato, com o presidente, assuntos de governo. Pelo bem da população da minha cidade”, declarou o governador, sinalizando uma relação restrita ao essencial.
A tensão ficou evidente quando Ibaneis optou por não comparecer à posse de Beto Simonetti, novo presidente do Conselho Federal da OAB, evento que contou com a presença de Lula.
Arquivamento confirmado
No início do mês, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou o inquérito contra Ibaneis, seguindo o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que revelou falta de elementos para manter as investigações. Na decisão, Moraes destacou: “Tendo o Ministério Público exigido o arquivamento no prazo legal, não cabe ação privada secundária, ou um título originário, sendo essa manifestação irretratável, salvo no surgimento de novas provas.”
Ibaneis chegou a ser retirado da carga por 90 dias por ordem de Moraes em janeiro de 2023, mas reassumiu o governo antes do prazo inicial. Apesar da política de reabilitação, o debate com Lula continua, mostrando que as feridas daquele episódio ainda não cicatrizaram.