Vivemos em uma sociedade letrada e cada vez mais digitalizada. Para as tarefas mais simples do cotidiano são exigidos saberes relacionados à leitura, à produção de textos e ao domínio de competências mínimas no que diz respeito ao uso de tecnologias da informação e da comunicação. Um exemplo disso está, por exemplo, no uso cada vez menor do dinheiro em espécie.
Realidade virtualizada
Não é incomum, em grandes centros urbanos, vermos pessoas pedindo ajuda com cartazes por meio de Pix, o que implica a virtualização da esmola. Da mesma forma, pequenos vendedores de rua, carregam consigo seus celulares e o número do Pix, dominando inclusive o uso de QR Codes. Nos ônibus, cartões de crédito, Pix ou cartões de mobilidade.
Como se pode facilmente atestar, há uma pluralidade de linguagens a que somos submetidos cotidianamente na sociedade contemporânea. Recentemente, foi proibido o uso de celulares nas escolas quando não forem recursos pedagógicos ou necessários à inclusão de pessoas com deficiência. O argumento é de que precisamos proteger nossas crianças do excesso de tempo nessa realidade virtualizada. Mas a verdade é que todos nós, em maior ou menor medida, estamos submetidos a inúmeras mídias que consomem tempo e atenção de crianças, jovens e adultos. No entanto, o que se vê são pessoas que, embora se dediquem horas a essa infinidade de possibilidades e de informações, não estão preparadas para exercitar uma leitura crítica, madura e seletiva.
Competência leitora
Urge, portanto, que se desenvolva a competência leitora para interagir com textos multimodais, ou seja, aqueles textos tão comuns na rede de computadores que utilizam linguagem escrita (palavras), linguagem visual (imagens) e linguagem sonora (sons) a um só tempo de forma combinada de maneira a dar sentido à mensagem que se quer transmitir. Tais recursos linguísticos se intercomplementam para atingir as intencionalidades do produtor desse conteúdo. Essa relação, todavia, não pode ser passiva, tendo em vista que o leitor se torna também coautor, imprimindo a esse conteúdo novo significado, por meio desse diálogo que se estabelece entre os interlocutores, quais sejam escritor/produtor e leitor/receptor.
Multiletramentos
Ainda na linha do que chamamos de multiletramentos, há que se observar a produção de textos multimodais, fazendo uso adequado e eficaz de diferentes linguagens – verbal, corporal, visual, sonora e digital – para se expressar. O que se precisa de fato é que as pessoas dominem o uso da língua, nas suas manifestações oral e escrita, em termos de recepção e produção de textos. Ultrapassar a linha de receptor passivo ou de repassador de informações exige uma reflexão analítica e crítica sobre a linguagem como fenômeno psicológico, educacional, social, histórico, cultural, político e ideológico. A escola e a família devem assumir a iniciativa de ampliar os espaços de recepção e de produção de conteúdos significativos de maneira a preparar nossas crianças e jovens para um mundo cada vez mais multimidiático.