O governo de Ibaneis Rocha chega ao fim em meio a um cenário mais complexo do que o previsto. Com a saída marcada para 28 de março para disputar o Senado, o governador encerra um ciclo de quase oito anos deixando obras, popularidade e, também, um ambiente político em ebulição. A vice-governadora Celina Leão assume o comando e herda não apenas a estrutura administrativa, mas um tabuleiro eleitoral pressionado por disputas internas e expectativas externas.
A trajetória de Ibaneis começou desacreditada em 2018. Fora do circuito político tradicional, foi tratado como candidato improvável. O resultado foi oposto. Com forte desempenho nas urnas, construiu uma vitória expressiva e consolidou um modelo de gestão baseado em obras e políticas sociais, em linha com o estilo de Joaquim Roriz. A reeleição em primeiro turno, em 2022, reforçou esse capital político.
Turbulência no jogo
O cenário atual, no entanto, revela fissuras. A chamada “bagunça” na base aliada e as movimentações dentro do BRB expõem ruídos na articulação política. A dificuldade de alinhamento entre lideranças, interesses partidários e projetos pessoais começa a impactar diretamente o ambiente eleitoral, fragilizando uma base que, até então, sustentava o governo com relativa estabilidade.
Ao mesmo tempo, o nome de José Roberto Arruda volta a circular com força nos bastidores. A indefinição sobre sua elegibilidade mantém o cenário em suspense, mas sua presença reorganiza forças, pressiona alianças e reaquece uma memória política que ainda influencia o eleitorado da capital federal.
Outro fator que adiciona tensão ao cenário é o impacto do caso envolvendo o BRB e o chamado “caso Master”, que ganhou espaço no noticiário e passou a ser explorado pela oposição. Embora o grupo governista ainda mantenha vantagem estrutural, os episódios recentes mostram que a disputa está longe de ser linear.
Prova de fogo
Ibaneis também enfrentou momentos críticos ao longo da gestão, como o afastamento determinado por Alexandre de Moraes em 2023. Ainda assim, conseguiu retomar o cargo, recompor sua base e preservar índices relevantes de aprovação.
Entre avanços e crises, o governo se despede deixando marcas concretas na infraestrutura e nas políticas sociais do DF. Mas o verdadeiro teste do seu legado começa agora, com a sucessão em curso, a base fragmentada e um cenário eleitoral que promete ser tudo, menos previsível.




