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Justiça do DF suspende uso de terrenos públicos como garantia para empréstimos do BRB

Liminar aponta possível risco ao patrimônio público e questiona lei sancionada por Ibaneis que autorizava operação de até R$ 6,6 bilhões

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 5 Min Leitura
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Proposta do governo do DF previa uso de imóveis públicos para reforçar capital do Banco de Brasília Imagem: Jornal Nacional/ Reprodução
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A 2ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal concedeu uma liminar que suspende o uso de terrenos públicos como garantia para empréstimos do Banco de Brasília (BRB). A decisão foi assinada nesta segunda-feira (16) pelo juiz Daniel Eduardo Branco Carnacchioni.

A medida barra, ao menos por enquanto, a aplicação da lei sancionada no último dia 10 pelo governador Ibaneis Rocha, que autorizava o uso de nove imóveis públicos para lastrear operações financeiras de até R$ 6,6 bilhões destinadas a reforçar a liquidez do banco.

Segundo o magistrado, a legislação não apresenta base jurídica suficiente para justificar o uso desses bens públicos como garantia. Na decisão, o juiz afirma que a solução proposta para assegurar recursos ao banco não explica de que forma a operação atenderia ao interesse público.

Ainda de acordo com o despacho, há preocupação com o fato de patrimônios de outras estatais do Distrito Federal serem utilizados para socorrer o banco. Para o magistrado, a lei distrital não esclarece adequadamente os impactos dessa medida.

A liminar foi concedida em resposta a uma ação popular que argumenta que a norma tem potencial de causar prejuízos ao patrimônio público do Distrito Federal e de entidades que integram a administração indireta.

Decisão também questiona autonomia do banco

Outro ponto destacado na decisão é que a lei foi aprovada antes mesmo de deliberações internas do banco. O juiz afirma que a definição de métodos de capitalização seria uma atribuição do próprio BRB, por meio de seus gestores, do Conselho de Administração e da Diretoria.

Enquanto a disputa judicial avança, o Conselho de Administração do banco deve se reunir com acionistas nesta quarta-feira (18) para discutir o aumento do capital social da instituição.

A proposta prevê a emissão de até 1,67 bilhão de ações ordinárias nas próximas semanas. Com isso, o banco pretende captar recursos no mercado e ampliar o patrimônio da instituição.

Atualmente, o capital social do BRB é de cerca de R$ 2,34 bilhões. Caso consiga atingir o valor máximo estimado na operação, o montante pode chegar a aproximadamente R$ 11,2 bilhões.

O que previa a lei sancionada

A legislação aprovada pelo governo do Distrito Federal criou diferentes mecanismos para permitir aportes financeiros no banco.

Entre as possibilidades estavam a injeção direta de recursos no capital social, a integralização de capital com bens móveis ou imóveis e outras formas de aporte previstas em lei.

O texto também autorizava a venda de bens públicos pertencentes ao próprio governo ou a estatais como Terracap, Novacap, CEB e Caesb. Os recursos obtidos poderiam ser destinados ao reforço patrimonial do BRB.

Além disso, a norma permitia que o governo contratasse operações de crédito com instituições financeiras, incluindo o Fundo Garantidor de Crédito. O limite máximo de endividamento foi fixado em R$ 6,6 bilhões.

Imóveis indicados como garantia

Entre os bens listados para as operações financeiras estavam áreas no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), terrenos pertencentes a estatais do DF e outras propriedades públicas.

Também foram incluídos o terreno da antiga sede do Centro Administrativo do Distrito Federal, em Taguatinga, avaliado em cerca de R$ 491 milhões, e uma área de 716 hectares na Serrinha do Paranoá, estimada em R$ 2,2 bilhões.

Vetos do governador

Ao sancionar a lei, o governador vetou três dispositivos aprovados pela Câmara Legislativa.

Um deles previa que o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal deveria receber pelo menos 20% do valor dos bens utilizados nas operações. Outro obrigava o banco a publicar relatórios trimestrais detalhando os imóveis envolvidos e o destino dos recursos.

Também foi vetado o trecho que exigia a elaboração de um plano com estimativa de retorno financeiro ao Distrito Federal, prazo para recomposição dos valores e metas de desempenho econômico do banco.

O governo do Distrito Federal informou que pretende recorrer da decisão judicial.

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