A guerra no Oriente Médio desencadeou a maior crise no setor aéreo global desde a pandemia de Covid-19. Desde o início do conflito, pelo menos 37 mil voos foram cancelados, afetando centenas de milhares de passageiros e alterando rotas importantes da aviação internacional.
Os reflexos da guerra já são sentidos em aeroportos de diferentes países. A passageira Dea, por exemplo, desembarcou em Doha, no Qatar, no dia 27 de fevereiro, e ainda não conseguiu seguir viagem. Segundo ela, passageiros enfrentam longas filas e incerteza. “Eles atendem, mas não têm nada para dizer. Remarcam a viagem, mas cancelam em seguida”, relatou.
Espaço aéreo alterado
Há mais de duas décadas, o Oriente Médio se consolidou como uma das principais conexões da aviação mundial, funcionando como elo entre América, Ásia, Europa e Oceania. Um exemplo é o aeroporto de Dubai, que conecta passageiros a 107 países. Estima-se que cerca de um terço da população mundial esteja a até quatro horas de voo dos Emirados Árabes Unidos.
Com o conflito, porém, o espaço aéreo da região passou a ser evitado por companhias aéreas. Rotas precisaram ser redesenhadas para contornar áreas consideradas de risco. O cenário ganhou ainda mais preocupação após a queda de um míssil em um aeroporto desativado no norte da Síria na semana passada, evidenciando os perigos para a aviação.
Viagens mais longas e passagens mais caras
Com o desvio das rotas, os voos ficaram mais longos e passaram a consumir mais combustível. A mudança já provocou aumento no preço das passagens, principalmente em viagens entre Ásia e Europa, além da queda das ações de companhias aéreas em bolsas de valores ao redor do mundo.
Outro fator que pressiona o setor é o aumento do preço do petróleo. O professor de aviação Michael McCormick, da Embry‑Riddle Aeronautical University, explica que a elevação do barril impacta diretamente o combustível das aeronaves.
“Quando o preço do petróleo sobe, o valor do querosene de aviação também aumenta. Isso gera custos maiores para as companhias aéreas”, afirmou.
Desde o início da guerra, o querosene de aviação já registrou alta superior a 50%. Especialistas avaliam que ainda é difícil calcular o tamanho real dos impactos para a indústria, enquanto o conflito continua e mísseis seguem cruzando os céus do Oriente Médio.




