O glaucoma é considerado a principal causa de cegueira irreversível no mundo e tem uma característica preocupante: na maioria dos casos, evolui de forma silenciosa. Sem causar dor ou sintomas evidentes nas fases iniciais, a doença provoca degeneração progressiva do nervo óptico e pode levar à perda permanente da visão quando não é diagnosticada a tempo.
Entre os dias 8 e 14 de março é realizada a Semana Mundial do Glaucoma, iniciativa que busca alertar a população sobre os riscos da doença e reforçar a importância da prevenção por meio de consultas oftalmológicas regulares.
Doença silenciosa
De acordo com o oftalmologista Edney Resende Moura Filho, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), cerca de 90% dos pacientes não percebem sinais da doença no início.
Segundo ele, a única forma de identificar o problema precocemente é manter acompanhamento médico periódico. “A única forma de identificar a doença precocemente é por meio de consultas regulares com o oftalmologista”, afirma.
O glaucoma é caracterizado pela lesão progressiva do nervo óptico, frequentemente associada ao aumento da pressão intraocular. Embora possa atingir pessoas de qualquer idade, o risco aumenta com o avanço da idade.
Estimativas indicam que cerca de metade das pessoas com glaucoma no mundo não sabem que têm a condição, justamente porque os sintomas costumam aparecer apenas em estágios mais avançados.
Fatores de risco
Especialistas recomendam atenção redobrada para pessoas com fatores de risco. Entre os principais estão histórico familiar da doença, idade acima de 40 anos, uso prolongado de medicamentos à base de corticoide e traumas oculares prévios.
A perda visual geralmente acontece de forma gradual. Muitas vezes o paciente já apresenta redução do campo visual sem perceber, principalmente nas fases iniciais.
Por isso, o diagnóstico precoce é considerado fundamental para evitar danos irreversíveis à visão.
Quando a doença começa cedo
O glaucoma também pode surgir na infância. Foi o que aconteceu com Juliana Luzia de Souza, que nasceu com a doença por causa de um fator genético.
A suspeita surgiu ainda nos primeiros dias de vida, quando médicos identificaram alterações nos olhos da criança. Juliana passou pela primeira cirurgia aos três dias de vida e começou a usar óculos com apenas um mês.
Hoje, aos 30 anos, ela já realizou sete cirurgias e perdeu a visão do olho direito, mantendo apenas percepção de luz.
“Como não tive a chance de fazer exames preventivos antes do diagnóstico, sei o quanto é importante realizar consultas regulares. Assim é possível identificar a doença mais cedo e evitar que o quadro se agrave”, relata.
Tratamento e acompanhamento
Embora não tenha cura, o glaucoma pode ser controlado com tratamento adequado e acompanhamento médico contínuo.
Um dos principais desafios é manter a adesão ao tratamento. A ausência de sintomas faz com que muitos pacientes abandonem o uso dos medicamentos.
“Muitas pessoas param de usar o colírio por não perceberem melhora imediata ou por causa de efeitos colaterais, como irritação ocular. Mesmo assim, o uso regular da medicação é essencial para evitar a progressão da doença”, orienta o médico.
Atendimento no DF
Em caso de suspeita de glaucoma ou qualquer alteração na visão, a orientação é procurar atendimento médico. No Distrito Federal, o primeiro passo é buscar uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
Após a avaliação inicial, se houver necessidade, o paciente é encaminhado pelo sistema de regulação para atendimento especializado.
Consultas oftalmológicas regulares continuam sendo a principal forma de prevenir a perda de visão causada pelo glaucoma. Quando diagnosticada precocemente, a doença pode ser controlada, reduzindo significativamente o risco de cegueira.




