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SUS passa a oferecer atendimento virtual gratuito para adultos com vício em jogos e apostas

Serviço será realizado pelo aplicativo Meu SUS Digital, com consultas por vídeo e acompanhamento multiprofissional para maiores de 18 anos e familiares

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 5 Min Leitura
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Novo serviço do SUS é gratuito, voltado a maiores de 18 anos e também aberto a familiares e rede de apoioImagem: Freepik
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O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer teleatendimento em saúde mental voltado a pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas, especialmente nas modalidades online. O serviço é gratuito, destinado a maiores de 18 anos e também aberto a familiares e redes de apoio, com acesso pelo aplicativo Meu SUS Digital.

A iniciativa, anunciada pelo Ministério da Saúde, prevê inicialmente cerca de 600 atendimentos mensais. O projeto é realizado em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), com investimento estimado em R$ 2,5 milhões.

Baixa procura por atendimento presencial

Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2025, o SUS registrou 6.157 atendimentos presenciais relacionados a jogos e apostas. A avaliação técnica aponta que a busca espontânea por ajuda ainda é limitada, muitas vezes devido à vergonha, à estigmatização ou à dificuldade de reconhecer o problema.

Segundo a Pasta, o teleatendimento surge como alternativa para ampliar o acesso ao cuidado de forma mais reservada, facilitando o primeiro contato do usuário com a rede pública de saúde.

A medida integra um conjunto de ações do governo federal para enfrentar o crescimento das apostas online no país e os possíveis impactos na saúde mental da população.

Como funciona o atendimento

Para acessar o serviço, o usuário deve entrar no aplicativo Meu SUS Digital ou na versão web, realizar login com a conta gov.br e selecionar, na aba “Miniapps”, a opção destinada a problemas relacionados a apostas.

O primeiro passo é responder a um autoteste validado no Brasil, baseado em evidências científicas, que identifica sinais de risco. Caso o resultado indique risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento ocorre automaticamente.

Nos casos classificados como de menor risco, o aplicativo orienta a busca por atendimento presencial na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades Básicas de Saúde (UBS).

As consultas são realizadas por vídeo, com duração média de 45 minutos, e fazem parte de ciclos de cuidado que podem chegar a 13 sessões por paciente. O acompanhamento pode ocorrer de forma individual ou em grupo, incluindo familiares.

A equipe é formada por profissionais multiprofissionais, como psicólogos e terapeutas ocupacionais, com apoio de psiquiatras quando necessário. O modelo também prevê telemonitoramento e integração com a rede local do SUS para encaminhamentos presenciais.

Estratégia interministerial

O teleatendimento integra uma estratégia mais ampla do governo federal para lidar com os efeitos das apostas online. Entre as medidas estão a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, coordenada pelo Ministério da Fazenda, que permite bloquear o acesso a sites autorizados de apostas, e o Observatório Saúde Brasil de Apostas, voltado ao compartilhamento de dados entre as áreas de Saúde e Fazenda.

Também foram publicadas diretrizes clínicas e uma linha de cuidado específica para pessoas com problemas relacionados ao jogo.

O Ministério da Saúde informou ainda que a Ouvidoria do SUS, pelo telefone 136, está preparada para orientar usuários sobre o serviço.

Expansão da rede de saúde mental

Dados oficiais indicam que o orçamento federal destinado à saúde mental passou de R$ 1,7 bilhão em 2022 para R$ 2,9 bilhões em 2025. Atualmente, a rede pública conta com 6.272 pontos de atenção em saúde mental, incluindo cerca de 3 mil Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Segundo a Pasta, o avanço das apostas online trouxe novos desafios ao sistema de saúde, especialmente na identificação precoce de comportamentos compulsivos, condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como transtorno mental classificado na CID-11 como “transtorno do jogo”.

O impacto da nova modalidade de atendimento e sua capacidade de ampliar o acesso ao cuidado deverão ser avaliados conforme o serviço avance e os primeiros dados de utilização sejam consolidados.

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