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Anvisa registra 65 mortes suspeitas associadas ao uso de canetas emagrecedoras entre 2018 e 2025

Dados fazem parte do sistema oficial de farmacovigilância e não confirmam relação direta entre os medicamentos e os óbitos

Ana Andrade
Por Ana Andrade 3 Min Leitura
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Canetas emagrecedoras à base de semaglutida e tirzepatida estão entre os medicamentos monitorados pela Anvisa no sistema de farmacovigilância.Cristian Camilo/Divulgação Agência Brasil
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária informou ter recebido 65 notificações de mortes suspeitas associadas ao uso de medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras no período entre 1º de dezembro de 2018 e 7 de dezembro de 2025. As informações constam no sistema Vigimed, banco oficial de monitoramento de eventos adversos da agência.

No mesmo intervalo, foram registradas 2.436 notificações envolvendo possíveis reações relacionadas aos princípios ativos semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida. Segundo a Anvisa, uma única notificação pode reunir mais de um evento adverso e diferentes desfechos clínicos.

Monitoramento pós-comercialização

A agência esclarece que o registro no sistema não significa que o medicamento tenha causado a morte. Para que haja confirmação de relação causal, é necessária uma avaliação clínica e científica detalhada, que considere o histórico de saúde do paciente, o uso de outros medicamentos, a qualidade das informações prestadas e a regularidade do produto utilizado.

Os fármacos citados são indicados principalmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e, em alguns casos, também para obesidade. Entre as marcas mencionadas nas notificações estão Ozempic, Wegovy, Saxenda, Victoza, Mounjaro e Trulicity.

De acordo com os registros detalhados, a maioria das notificações envolve mulheres. No entanto, a Anvisa informou que não é possível identificar, em todos os casos, se os medicamentos utilizados eram produtos regularizados no Brasil, manipulados ou importados sem registro, já que muitas notificações não especificam a origem.

O que dizem as fabricantes

As farmacêuticas responsáveis pelos medicamentos afirmaram que os produtos seguem padrões internacionais de segurança e que os riscos conhecidos constam em bula. A Novo Nordisk destacou que terapias baseadas em incretina possuem advertência sobre risco de pancreatite e orienta que pacientes procurem atendimento médico ao apresentar sintomas compatíveis.

Já a Eli Lilly informou que monitora continuamente a segurança de seus produtos e que a pancreatite aguda é considerada uma reação adversa incomum. A recomendação é suspender o uso diante de suspeita e buscar avaliação médica.

Interpretação dos dados

Sistemas como o Vigimed funcionam como ferramenta de vigilância após a comercialização dos medicamentos. Eles reúnem relatos espontâneos feitos por profissionais de saúde, pacientes e empresas com o objetivo de identificar possíveis sinais de risco.

A própria Anvisa reforça que a existência de notificações não comprova que os medicamentos sejam inseguros nem estabelece relação direta entre o uso e os eventos relatados. A análise é individualizada e depende de investigação técnica detalhada.

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