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Mudança nas tarifas de Trump favorece exportações brasileiras

Estudo aponta que país teve a maior redução nas alíquotas médias após decisão da Suprema Corte e nova taxa global anunciada por Donald Trump

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 4 Min Leitura
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Estudo aponta que o Brasil registrou a maior redução nas tarifas médias após decisão da Suprema Corte dos EUA e anúncio de nova alíquota globalImagem: Reprodução
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Brasil e China estão entre os países mais beneficiados pelas mudanças nas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entre sexta-feira e sábado (21). Segundo análise da organização independente Global Trade Alert, o Brasil registrou a maior queda na tarifa média aplicada pelos norte-americanos, com redução de 13,6 pontos percentuais.

A China aparece em seguida, com recuo de 7,1 pontos, e a Índia, com diminuição de 5,6 pontos. O levantamento foi divulgado inicialmente pelo jornal britânico Financial Times, que teve acesso ao relatório completo.

Nova tarifa global

O cálculo considera a nova tarifa global anunciada por Trump após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que invalidou o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional para sustentar o chamado tarifaço. Inicialmente fixada em 10%, a alíquota foi elevada para 15% menos de 24 horas depois.

As novas taxas entram em vigor às 00h01 (horário de Washington) da próxima terça-feira (24) e atingem todos os países com relações comerciais com os Estados Unidos. Há exceções para produtos específicos, como minerais críticos, itens agrícolas e componentes eletrônicos.

Antes da decisão judicial, produtos brasileiros chegaram a enfrentar sobretaxas de até 50%. Com a derrubada das cobranças baseadas na IEEPA, caiu a taxa recíproca de 10% e a sobretaxa adicional de 40% imposta ao Brasil. Permanecem inalteradas as tarifas sobre aço e alumínio, que se baseiam em outro dispositivo legal.

Em entrevista ao Financial Times, o economista Johannes Fritz afirmou que as mudanças beneficiaram principalmente países que haviam sido alvo direto das medidas mais duras da Casa Branca, como Brasil, China, México e Canadá. Ele alertou, no entanto, que o novo regime pode durar apenas 150 dias, o que mantém o cenário indefinido.

Reação do governo brasileiro

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, comemorou a decisão da Suprema Corte. Segundo ele, a medida coloca o Brasil em condição de competitividade equivalente à de outros países.

Após o anúncio da elevação da tarifa global para 15%, Alckmin afirmou que não há perda de competitividade, já que a alíquota é uniforme para todos os parceiros comerciais dos EUA. Ele destacou que, em alguns setores, a tarifa foi zerada, como combustível, carne, café, celulose, suco de laranja e aeronaves.

O ministro também informou que, antes da decisão judicial, 22% das exportações brasileiras estavam sujeitas a sobretaxa de 40%.

Impacto bilionário

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria, com base em dados de 2024 da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, a derrubada do tarifaço afeta cerca de US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras aos Estados Unidos.

A reconfiguração das tarifas também impacta aliados estratégicos dos EUA. Países como Reino Unido, União Europeia e Japão passarão a enfrentar tarifas médias mais altas com a nova alíquota global, segundo a Global Trade Alert.

Apesar do alívio momentâneo, especialistas apontam que o cenário ainda é incerto, já que o governo norte-americano sinalizou que poderá recorrer a outros instrumentos legais para impor novas tarifas nos próximos meses.

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