A Dra. Tatiana Sampaio, pesquisadora e coordenadora do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, lidera uma pesquisa pioneira que estuda a reconstrução de conexões da medula espinhal por meio da proteína poliamilina, desenvolvida por ela. O trabalho, resultado de quase três décadas de dedicação científica, tem ampliado o debate sobre novas possibilidades terapêuticas para lesões medulares.
Formada em Biologia pela própria UFRJ, onde também concluiu mestrado, doutorado e pós-doutorado, Tatiana construiu toda a sua trajetória acadêmica dentro da instituição. São 28 anos de pesquisa concentrados na mesma proteína, mas com abordagens e estratégias que evoluíram ao longo do tempo. “São 28 anos trabalhando com a mesma proteína, mas não fiquei 28 anos fazendo a mesma coisa. É uma trajetória muito dinâmica”, afirma.
Pesquisa focada na regeneração
O estudo conduzido pela cientista investiga como a proteína poliamilina pode atuar na reorganização da matriz extracelular e favorecer a reconstrução de conexões nervosas rompidas após lesões na medula espinhal. A proposta se destaca por buscar caminhos biológicos para estimular processos regenerativos, tema considerado um dos grandes desafios da neurociência.
A linha de pesquisa ganhou maior visibilidade recentemente, após entrevista da pesquisadora repercutir nas redes sociais. O interesse público reflete a relevância do tema, especialmente para pacientes e famílias que acompanham avanços científicos na área.
Vocação que começou na infância
Casada e mãe de três filhos, Tatiana relata que o interesse pela ciência surgiu ainda na infância. No entanto, foi ao se tornar professora universitária que decidiu aprofundar sua atuação na pesquisa. Desde então, consolidou uma carreira marcada pela persistência e pela construção de conhecimento a longo prazo.
O encontro recente com a ex-atleta Laís Souza, que ficou tetraplégica após um acidente em 2014, integrou essa agenda de diálogo entre ciência e sociedade, mas o foco do trabalho permanece no laboratório, onde a pesquisadora segue investigando caminhos para ampliar as possibilidades de recuperação em lesões da medula espinhal.




