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Brasil corre risco de epidemia de vírus Nipah às vésperas do Carnaval? Entenda se há risco 

Ausência do principal hospedeiro no país e baixa transmissão entre pessoas mantêm risco considerado remoto

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 5 Min Leitura
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Principal hospedeiro natural do vírus Nipah, presente na Ásia e na ÁfricaImagem: Freepik
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No cenário atual, pesquisadores descartam risco de surto do vírus Nipah no Brasil, mesmo com a circulação recente de casos na Índia. O país não abriga o principal hospedeiro da doença, o morcego frugívoro Pteropus, e as autoridades de saúde mantêm vigilância ativa, com risco considerado baixo para a população brasileira. 

O Nipah pode provocar infecções respiratórias graves e encefalite inflamação do cérebro e tem elevada taxa de letalidade, chegando a cerca de 70% nos surtos registrados. Transmitido entre humanos e de animais para pessoas, gerou preocupação nas redes sociais com a proximidade do Carnaval, mas especialistas afirmam que o risco de uma epidemia no Brasil é remoto.

O país não possui populações naturais do principal hospedeiro do vírus, os morcegos conhecidos como raposas-voadoras (Pteropus), presentes principalmente na Ásia e na África. Essa ausência, segundo o professor Paulo Eduardo Brandão, da USP, reduz substancialmente a probabilidade de circulação do Nipah no território brasileiro. “O vírus ainda não consegue se transmitir de forma eficiente entre pessoas, e por isso não se tornou uma pandemia”, afirma Brandão.

Ministério da Saúde e OMS descartam risco imediato

Em nota, o Ministério da Saúde informou que o Brasil “mantém protocolos permanentes de vigilância a agentes altamente patogênicos” e reafirmou que não há confirmação de casos de Nipah no país. A pasta reforça que “o risco de uma pandemia causada pelo vírus continua sendo considerado baixo” e que não há evidências de disseminação internacional que impactem a população brasileira.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) sustenta avaliação semelhante: o surto recente registrado na Índia está praticamente encerrado e não há indícios de propagação para além da região afetada.

O que é o vírus Nipah

Identificado pela primeira vez em 1999 durante um surto entre criadores de suínos na Malásia, o vírus Nipah é classificado pela OMS como prioritário devido à capacidade de desencadear epidemias e à falta de vacinas ou tratamentos específicos. Em humanos, os sintomas iniciais se assemelham aos de outras viroses como dor de cabeça, febre e dores musculares mas podem evoluir rapidamente para quadros neurológicos graves, coma ou morte.

A infectologista Rosana Richtmann explica que a preocupação maior atualmente permanece restrita à Índia e países vizinhos que possuem os morcegos hospedeiros. Ela ressalta que a transmissão zoonótica, de animais para humanos, ocorre principalmente em ambientes onde há maior contato com morcegos frugívoros e porcos. A transmissão de pessoa para pessoa pode ocorrer, mas é mais comum entre profissionais de saúde em contato próximo com pacientes infectados.

Transmissão, sintomas e diagnóstico

A transmissão ocorre por meio de contato direto com fluidos de animais infectados, alimentos contaminados ou de pessoa para pessoa em situações de proximidade. Após a infecção, o vírus ataca o sistema respiratório e o sistema nervoso central. Nem todos os infectados desenvolvem sintomas, mas os que apresentam manifestação clínica podem evoluir para encefalite, com sinais como confusão mental, desorientação, sonolência e convulsões.

O diagnóstico é feito com base no quadro clínico e em exames laboratoriais, como RT-PCR em fluidos corporais e testes sorológicos como ELISA para detecção de anticorpos.

Surtos anteriores e presença do vírus

Além da Malásia, surtos quase anuais foram registrados em Bangladesh desde 2001. A Índia teve episódios esporádicos, incluindo um surto em Calecute em 2018 com alta mortalidade, e casos isolados em anos posteriores. Especialistas apontam que a perda de habitat natural dos morcegos pode aumentar o contato entre esses animais e humanos, potencializando saltos zoonóticos.

Embora evidências de vírus tenham sido encontradas em espécies de morcegos em países como Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas e Tailândia, isso não implica necessariamente risco iminente de epidemias em regiões sem os hospedeiros principais.

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